Zema: Área de deslizamento de rocha em Capitólio terá procedimentos de segurança mais rígidos após tragédia

Prefeitos estudam estabelecer perímetro mínimo de segurança entre as lanchas e os paredões rochosos

Da Agência Minas

O governador Romeu Zema (Novo) assinou decreto de luto oficial de três dias em todo o estado de Minas Gerais em sinal de pesar às vítimas da tragédia em Capitólio e em respeito aos mineiros afetados pelas fortes chuvas dos últimos dias. Segundo Zema, a área contará com reforço nas ações de vistoria e passará a ter procedimentos de segurança mais rígidos, "principalmente em época de chuva, que se provou capaz de tornar aquela estrutura instável", sinaliza.

Os prefeitos de São José da Barra, Paulo Sergio de Oliveira, e de Capitólio, Cristiano Silva, anunciaram que medidas para reforçar a segurança do turismo no Lago de Furnas serão discutidas na segunda, 10. O encontro reunirá prefeitos da região e representantes da Defesa Civil de Minas Gerais, da Polícia Militar e da Marinha.

Segundo o prefeito de Capitólio, uma lei municipal de 2019 disciplina o turismo no cânion, proibindo banhos na área de circulação das lanchas e limitando a 40 o número de embarcações que podem permanecer por até 30 minutos na área do cânion. Além disso, normas da Marinha estabelecem o ordenamento da orla do lago.

Ele admitiu, no entanto, que, até agora, não existia uma norma sobre a distância mínima entre as lanchas e os paredões rochosos. Segundo ele, um perímetro mínimo de segurança só poderá ser definido após estudo técnico. O prefeito ressaltou que o desprendimento de um bloco tão grande é inédito na região.

— Meu pai vive aqui há 76 anos e nunca viu um desligamento de rocha desses. Acredito que, daqui para a frente, a gente precisa fazer uma análise [geológica]. Aquelas falésias estão ali há milhares de anos. Essa formação rochosa de quartzito tem essas fendas e fissuras. Já foram feitos vários estudos geológicos. Se tinha algum risco, tinha de ser emitido por um órgão superior — explicou.

O prefeito disse ainda que uma foto de 2012, divulgada ontem nas redes sociais, com paredão com fissura larga, não se refere à rocha que desabou, mas a um que continua intacto no trecho central do cânion. De acordo com ele, a fissura no bloco que desmoronou era menor que a da pedra mostrada na foto.

Buscas continuam

A ação em conjunto das forças de segurança de Minas Gerais - Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Defesa Civil e Polícia Militar -, Marinha Brasileira e instituições municipais possibilitou a localização das dez vítimas do deslizamento de uma rocha em um cânion de Capitólio, no lago de Furnas, já no segundo dia de operação.

Desde os primeiros momentos, as equipes se mobilizaram para atendimento e apoio às vítimas, ações de resgate e resposta, além da identificação e apuração das causas e danos provocados pelo deslizamento da rocha. Apesar da localização das vítimas, as buscas continuam até que os destroços e fragmentos corporais sejam totalmente retirados do local.

O sargento Wander da Silva, da Defesa Civil, que está à frente dos trabalhos do órgão na região, conta que novas ações devem ser tomadas nos próximos dias em conjunto com as prefeituras.

— A Defesa Civil de Capitólio já tinha tomado algumas medidas preventivas, como a interdição de alguns acessos para facilitar o trabalho do Corpo de Bombeiros e demais órgãos. Vamos fazer uma nova reunião com os prefeitos para serem estabelecidas outras normas que serão colocadas em prática para manter a segurança dos turistas da região — diz.

Além disso, a polícia aguarda eventuais comunicações de novos desaparecimentos, no caso de eventuais turistas que estavam sozinhos.

— Pode ser que uma pessoa ou um casal estivesse caminhando e tenha caído uma pedra. Até o momento, nenhum dos órgãos recebeu informação de outros desaparecidos. Nós estamos iniciando e não temos pressa de terminar os trabalhos — disse o delegado Marcos Pimenta, da Polícia Civil mineira.

 

Cristiano Machado / Imprensa MG

Investigação

Das pessoas localizadas, duas já foram identificadas pela Polícia Civil e liberadas para que as famílias possam velar e sepultar de maneira digna as vítimas. Segundo o delegado Marcos Pimenta, devido à dinâmica do acidente, o trabalho da investigação tem sido minucioso, a fim de dar uma resposta aos familiares.

— A polícia trabalha com várias frentes de atuação, inclusive auxílio das famílias para identificação das vítimas. Devido à complexidade do acidente, as buscas estão localizando fragmentos corporais. Portanto, neste caso, existem dois tipos de identificação: a formal, com a liberação do corpo; e a precária, quando é feita por meio de tatuagens, aparelhos, vestimentas etc., que auxiliam a investigação a descobrir quem é a vítima — explica o delegado.

Após o término da identificação e liberação de todas as vítimas, a investigação entrará em uma segunda etapa, em que o objetivo será apurar as causas e responsabilidades do ocorrido.

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