Vítima de golpe deve R$ 65 mil e corre risco de perder a casa

Mulher foi fiadora de imóveis com aluguéis não pagos por parente, faxineira pede ajuda para não ter sua residência penhorada

Bruno Bueno

Uma atitude de boa fé causou uma enorme dor de cabeça para uma faxineira de Divinópolis. Fabiane Aparecida dos Santos, de 36 anos, aceitou ser fiadora de dois imóveis alugados por um parente bem próximo em 2015. O que ela não esperava é que um débito de aluguéis seria cobrado pela Justiça. A dívida foi avaliada em R$ 7 mil, porém, com juros e correções, o valor já está cotado em R$ 65 mil. 

Sem condições de pagar o débito, a faxineira corre o risco de perder a casa onde mora, seu único bem? . A vítima tentou negociar com a ex-moradora do imóvel, mas não obteve sucesso. Desesperada, ela procurou o Agora na tarde de ontem para contar sua história e pedir doações para quitar o pagamento.

Entenda o caso 

Assim que a parente a procurou, Fabiane não pensou duas vezes em aceitar. Tamanha confiança impediu que ela pudesse imaginar  se tratava de um golpe.

— Uma pessoa próxima chegou e me pediu para ser fiadora e eu fui. Hoje vivo numa situação em que estou perdendo minha casa. A dívida está com um valor muito alto.  Sinceramente, eu não sei o que fazer. São dívidas de dois imóveis: um comercial e outro comum. Eu e meu marido fomos fiadores — afirma.

A faxineira relembra de quando recebeu a notícia da dívida.

— Ela foi despejada por motivos que não sei, mas essa dívida já tem mais ou menos 7 anos. Nos dois imóveis ainda há pendência. Um imóvel eu sei que ela foi despejada, já o outro eu não me lembro. Faço tratamento, então não fiquei muito a par, estou ficando a par agora do que tá acontecendo. Estou muito desesperada — pontua.

Dificuldades

Fabiane é epiléptica e também tem dois filhos com condições especiais. A dona de casa não esconde a emoção ao contar o medo que tem de perder sua casa.

— A dívida está em R$ 65 mil segundo consta os processos. Estou prestes a perder minha casa, meu único teto. Lá em casa não tem nada. Não tem vidro, não tem porta, nem tem como colocar nada. O desespero é demais. Eu tenho dois filhos. Um tem TDAH, descobri recentemente. O outro também tem epilepsia e trata desde o ano passado. Eu fico por conta deles. Não consigo sair para trabalhar — ressalta.

Ela também lamentou o fato de estar pagando por sua boa atitude, mas garante que não se arrepende. Mesmo assim, não esconde sua decepção com a traição de quem menos imaginava.

— Só queria que a pessoa tivesse consciência de ver que eu fiz uma boa ação. É triste você deitar na cama e pensar: será que hoje é o último dia que eu vou viver aqui? Será que o oficial de Justiça vai vir aqui qualquer dia desses? Eu poderia dar um futuro melhor para os meus filhos. Infelizmente, vamos deixar de fazer isso para pagar uma coisa que não é nossa — conclui.

O risco de penhora assombra a família da dona de casa há pelo menos dois anos. Com o risco de perder seu único imóvel, Fabiane não conteve as lágrimas ao pedir ajuda de doações para os leitores da reportagem.

— Eu peço a todos que estiverem me vendo e escutando, a todos que chegarem essa mensagem, se puder me ajudar. Qualquer valor me ajuda. Não deixem eu perder minha casa, por favor. É  o único lugar que eu tenho para deixar meus filhos. A gente ajuda não porque somos bobos, mas porque quer ajudar. Não sabemos o que a pessoa vai fazer. Por favor, me ajuda — conclui.

Doações podem ser feitas através do PIX (37) 9.8801-9767.

Especialista

O Agora conversou com uma especialista em assuntos de fiança de imóveis. A vice-presidente da OAB Divinópolis, Andréa Borges, detalhou como funciona o processo. 

— A fiança é uma modalidade de garantia locatícia melhor para o proprietário, porque é uma garantia de que ele vai receber o débito. A fiança é a única modalidade na qual você fica responsável pelo débito locatício e  o seu imóvel, ainda que seja a única morada sua, pode ser levado à penhora e leiloado — conta.

Segundo a especialista, o imóvel pode ser penhorado mesmo que seja o único bem da vítima. O processo só é encerrado com o pagamento do débito.

— Se o proprietário sabe que ela tem um imóvel no nome, primeiro ele vai tentar penhorar dinheiro, veículos e, se não for suficiente, ele vai chegar até o imóvel. É mais demorado, tem que ir a leilão, porém é uma garantia de recebimento do débito — afirma.

Dicas

Para a advogada, a fiscalização é peça chave para evitar que esse tipo de golpe aconteça.

— Quando você for o fiador, normalmente do pai, filho ou outro, procure saber de três em três meses se o seu inquilino está pagando o aluguel em dia. Procure saber se o IPTU daquele imóvel está em dia porque normalmente nos contratos de locação consta obrigação de pagar o IPTU. Na fiança você não só está garantindo que vai pagar o aluguel, mas também os acessórios de locação — detalha.

Em casos de ausência do pagamento de aluguéis, a advogada pontua que o despejo da inquilina deve ser imediato para evitar maiores prejuízos.

—  Ligue e pergunte se está em dia. Peça para o parente apresentar os recibos. Quando você ver que a pessoa não consegue mais honrar com os compromissos dos aluguéis, faça um esforço muito grande para que ela desocupe o imóvel. Estanque o débito e depois tente o parcelamento da dívida, porque fatalmente você vai ser o responsável — pontua.

Um acordo com as partes do processo também pode ajudar no pagamento da dívida.

— Tente com o inquilino que não consegue pagar. Porque todo mundo às vezes entra em uma dívida porque passou um momento de dificuldade, de desemprego. Converse com o advogado do processo para fazer um acordo. Se não for possível, o bem do imóvel vai garantir o pagamento — finaliza.  

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