Vinte e dois aí está...

Raimundo Bechelaine

Vinte e dois aí está...

São as águas de janeiro abrindo mais um ano. As chuvas vieram chegando no fim de vinte e um, cresceram na passagem do ano e entraram com toda força neste começo de vinte e dois. Estão fazendo grandes estragos na Bahia, em Minas e em outras paragens. O pior é que muitas vidas preciosas se vão. Muito lamentável é que, enquanto isto, o presidente da República exibia-se em piruetas de jet ski e lanchas, nas praias de Santa Catarina.

Até os nossos rios Itapecerica e Pará, o Córrego do Catalão e outros andaram ensaiando transbordamentos aqui e ali. Havia quem temesse que  se repetissem as enchentes do passado, de triste memória. Felizmente ficaram apenas nas ameaças. Pelo menos até agora. 

O desastre no Lago de Furnas, na vizinha Capitólio, talvez até se possa dizer que foi um imprevisto, acidente, fatalidade. Não, porém, de modo algum, as enchentes e deslizamentos de encostas, as casas destruídas e as mortes dos indefesos. Pois tudo isso é previsto, anunciado e esperado, a cada ano. Está no calendário e na agenda dos pobres, dos desempregados, dos favelados, dos milhões de excluídos desse país campeão de desigualdade social. 

E já que falamos em calendário e agenda, vejamos o que registram as folhinhas deste nascente ano de vinte e dois. Todo ano, há eventos significativos a comemorar. Durante este ano, teremos os duzentos anos da proclamação da independência. Recordemos que o famoso sesquicentenário, os cento e cinquenta anos do "Independência ou Morte", se passaram em plena ditadura civil-militar, em 1972. Na verdade, o nosso Brasil não conseguiu ainda ser independente de fato, mas devemos festejar o 7 de setembro. Vale como motivação e conscientização cívica. 

Celebraremos ainda o centenário da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Ela revolucionou a literatura, o teatro, a pintura, a escultura e a arquitetura, enfim, todas as artes brasileiras, dando-lhes o reconhecimento internacional que têm até hoje. Outro centenário que será lembrado e causará polêmica, certamente, é o da criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 25 de março. É um dos marcos da nossa modernidade política. 

Além dessas celebrações históricas e culturais, dois grandes eventos ocorrerão no segundo semestre, próximos ao fim do ano. Em novembro e dezembro acontecerá a Copa Mundial de Futebol, no Katar. Será uma oportunidade para aprendermos alguma coisa sobre o mundo árabe e muçulmano. Também, é claro, de vermos em campo a seleção brasileira; que, aliás, não nos desperta mais tanta paixão como antes.

Porém mais importante, porque importa realmente para as vidas de todos os brasileiros, serão as eleições de outubro. Estaremos elegendo deputados e senadores, os governadores dos estados e o presidente da República. Os candidatos já estão despontando; e parece que nossa região terá novidades. Fiquemos atentos.

Teremos carnaval? É o que muita gente se pergunta. O certo é que muita coisa depende de nós e muita não depende. Certo também é que os brasileiros que sobreviverem aos cataclismas, às doenças, à inflação, à fome e ao desgoverno, de tédio não morrerão.  

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