Vereadores classificam discurso como "ataque pessoal" e criticam clima na Câmara

“Sinto-me envergonhado da população ter que assistir esse tipo de coisa”, declarou Zé Braz; Edsom disse que Comissão de Ética precisa definir limite moral

Da Redação

A reunião da Câmara de Divinópolis nesta quinta-feira, 3, foi marcada, novamente, por um discurso classificado por parte dos vereadores como ataque pessoal. Durante seu pronunciamento, Diego Espino (PSL) criticou a atuação da vereadora Lohanna França (Cidadania).

— [Você] Está brigando com um cara [o prefeito Gleidson Azevedo, do PSC] que está tentando de tudo para melhorar a sua vida, do seu bairro, da sua cidade. A politicagem em Divinópolis é demais, é muito ‘politiqueiro’. (...)  Diferente de uma vereadora que tem aqui, que gosta de mostrar os problemas, o difícil é trazer a solução, para isso tem que ter competência — afirmou. 

Para o vereador, mostrar o problema sem trazer a solução apenas atrapalha a atual gestão. 

Posteriormente, Espino citou a família de Lohanna.

— O pai da vereadora é assessor de deputado, poderia arrumar a quadra do Poliesportivo. Pede ao seu pai para falar com o Gustavo Mitre [deputado estadual pelo PHS] para ele mandar verba para cá. (...) Você não gosta de falar, não gosta de mídia? Agora você vai ter que escutar — provocou. 

Diego Espino ainda sugeriu que a vereadora fiscaliza e cobra o Executivo pensando em se candidatar na eleição deste ano.

— Daqui uns dias todo mundo vai entender porque fica nessa bateção. A intenção não é ajudar Divinópolis, é fazer carreira política — opinou.

Única vereadora presente em Plenário, Lohanna pediu à Mesa Diretora direito de resposta. Alegando que a vereadora não teve seu nome citado e ainda não havia feito seu discurso, podendo fazer sua defesa nele, a solicitação foi negada. 

Durante seu pronunciamento, minutos depois, Lohanna disse que os ataques recebidos são feitos por pessoas medíocres que, desesperadas e com “resultados inexpressivos, partem para o ataque”.

— Quando um porco entra num palácio, ele transforma todo o palácio inteiro num chiqueiro, mas não vira rei. Se vocês não tomarem cuidado, os porcos transformarão essa Casa num chiqueiro — respondeu. 

Críticas

Rodyson do Zé Milton (PV), que falou logo após Espino, precisou interromper sua fala após discussão entre Espino e Lohanna. Ele lamentou o clima no Plenário.

— A gente vê pedido por união com discurso de ódio — criticou Rodyson.

Companheiro de partido, Zé Braz (PV) também criticou a atitude.

— São ataques desproporcionais, que não vejo necessidade. Divinópolis se encontra em um momento crítico, de pandemia, com pessoas internadas, postos de saúde com profissionais afastados, empresas indo embora e muitos parlamentares partindo para agressões verbais desnecessárias — afirmou.

Para ele, sobram ataques e falta trabalho em prol da população.

— Vamos trabalhar, visitar as empresas que estão sofrendo, as unidades de saúde que estão pedindo socorro, as comunidades rurais com buracos e dificuldades de acesso. (...) Precisamos parar com essa ladainha de ataques pessoais, ataques ao prefeito, ataques a vereador, e trabalhar. Ganhamos R$ 9 mil para trabalhar — reforçou. 

Ao fim de seu discurso sobre o assunto, Zé Braz, que está em seu primeiro mandato, contou que esperava encontrar um Legislativo com um postura diferente, mais profissional. 

— É triste. Eu pensava numa Casa totalmente diferente. Isso não é um parlamento, parlamento tem discussão. (...) Agressões têm que ser contidas com bases legais. Aqui não tem 17 crianças, tem 17 adultos capacidade, que a sociedade escolheu para representar, não para fazer o que estamos fazendo aqui hoje. É um ambiente triste de se trabalhar, não se tem paz. Sinto-me envergonhado da população ter que assistir esse tipo de coisa. Peço desculpa em meu nome — finalizou.

Último a discursar na tarde de ontem, o líder do Executivo na Câmara, Edsom Sousa (Cidadania), falou sobre a importância da Comissão de Ética se reunir e delimitar um limite moral sobre os ataques.

— Isso aqui está passando do absurdo. (...) já passou do limite. Temos que arrumar no mínimo uma linha para delimitar o espaço moral e de respeitabilidade. Chega! Chega dessas condutas infantis e agressivas — pontuou.

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