Vereador não descarta pedir o cancelamento de subsídio concedido ao transporte público

Cobrança excessiva da TransOeste a empresas menores do consórcio é o motivo alegado

Bruno Bueno

O transporte público é, mais uma vez, motivo de polêmica em Divinópolis. O assunto foi tema principal da Câmara, na tarde de ontem. O vereador Hilton de Aguiar (MDB) sugeriu o cancelamento do subsídio concedido para a TransOeste, consórcio que administra o setor no município. 

O parlamentar apresentou uma denúncia para justificar a medida. Segundo ele, além dos valores mensalmente recebidos pela Prefeitura para não reajustar a tarifa, o consórcio cobra recursos excessivos para as empresas menores que compõem o transporte público. 

Subsídio

Hilton de Aguiar foi um dos parlamentares que votou, em março deste ano, a favor da concessão do aporte mensal de até R$ 657 mil dos cofres públicos para o consórcio. A medida aconteceu quando a TransOeste declarou “risco iminente de colapso”. O principal fator foi o aumento do óleo diesel, além da queda de passageiros durante a pandemia.

Ademir Silva (MDB), Josafá Anderson (Cidadania) e Lohanna França (PV) foram os únicos vereadores que votaram contra o projeto do prefeito Gleidson Azevedo (PSC). Eles reclamaram da qualidade do serviço prestado e de descumprimentos contratuais. 

Já os favoráveis à proposta declararam que essa era a única solução para não aumentar a passaginha.

Denúncia

O Agora conversou com o parlamentar e questionou sobre a denúncia. Segundo o vereador, a cobrança do consórcio às empresas menores está na casa de R$ 250 mil por mês. As entidades estariam com dificuldades de cumprir com o pagamento.

— Existe um subsídio, que foi votado nesta Casa, que nós votamos para ajudar e não aumentar a passaginha. (...) só que além desse valor, ela ainda recolhe das outras empresas que fazem parte do Consórcio. Valor mensal de R$ 250 mil, média de R$ 85 mil de dez em dez dias — disse.

Hilton também alega que o repasse do subsídio destinado a todos os consorciados não é feito corretamente pela TransOeste.

— Imagina você nessa situação com a crise que estamos vivendo? As empresas precisando do repasse. Além de não pegarem o repasse direito, ainda desconta esse valor? Não tem jeito. É uma covardia — afirma.

Reunião

Um encontro com os consorciados e alguns vereadores está marcado para a manhã de hoje. Gleidson estará presente.

— O prefeito atendeu o nosso pedido. Nós vamos estar lá, junto da empresa e todos os consorciados. O Gleidson vai ouvir todo mundo. (...) Eu imagino que ele nem saiba deste caso —  pontua.

O vereador tem ciência que o assunto faz parte das deliberações internas da empresa, mas, como o aporte é dos cofres públicos, afirma que a fiscalização é válida.

— Chegou aqui à tona. Ele não sabia desse valor de R$ 85 mil a cada dez dias. Nós vamos pedir a devolução imediata dos valores para os consorciados. Não sei se o presidente do Consórcio cobrou injustamente. Eu não vou entrar em nada interno deles, mas se a denúncia chegou aqui nesta Casa, nós, como fiscalizadores, temos que apurar — acrescenta.

Hilton relata que recebeu várias denúncias sobre o assunto em seu gabinete. Para ele, a situação é um “tapa na cara” dos usuários do transporte público.

— Nós temos que, por direito, dar satisfação para o povo. As empresas recebem todo mês o subsídio e, além do recurso, a empresa majoritária cobra mais de R$ 250 mil por mês. É uma covardia, um tapa na cara da população — relata.

Cancelamento

O parlamentar ressaltou que, se a situação não for resolvida, solicitará o cancelamento do subsídio para o transporte público.

— Vamos pedir nesta Casa o cancelamento do subsídio. Vamos pedir ao prefeito um jeito melhor de cancelar esse subsídio, porque não vamos aceitar isso. Quem paga esse preço é a população. O povo merece respeito. Eles pagam nosso salário — enfatiza.

Ele também falou sobre a importância das empresas menores para o funcionamento do setor no município.

— Não adianta que o povo pense que estamos errados, porque só queremos ajudar a população. Imagina se as empresas que fazem zona rural e bairros distantes paralisam os trabalhos? Não estou falando da TransOeste, mas sim das outras que fazem parte do Consórcio. (...) É uma covardia que nós temos que apurar — conclui.

Transoeste

A reportagem entrou em contato com o Consórcio Transoeste. O diretor da empresa, Felipe Carvalho, disse que a afirmação do vereador não pode ser chamada de denúncia .

— Somos uma empresa privada e temos deliberações internas tomadas em assembleias. A Prefeitura determinou alterações em linhas de transporte que afetaram as áreas atendidas por cada consorciada. A partir dessa mudança, o Consórcio Transoeste deliberou de forma unânime uma nova forma de rateio de suas receitas e compensação dos custos — destacou.

Ainda segundo o diretor, algumas consorciadas se arrependeram da deliberação.

— Elas buscam, erroneamente, as autoridades públicas para defender seus interesses privados. Apesar de estarem arrependidas, se negam a reduzir seus custos propostos pelo Consórcio Transoeste — ressaltou.

Por fim, Felipe garante que o Consórcio “vai defender suas deliberações internas em qualquer instância”, mas que também “está à disposição de todas consorciadas para discutir sobre as propostas de cada uma''. 

Prefeitura

O Agora também procurou a Prefeitura. Contudo, a reportagem não obteve resposta para os questionamentos até o fechamento desta página, por volta das 18h.

Foto: Flávio Henrique/CMD

Legenda: Hilton de Aguiar quer esclarecimentos do Consórcio Transoeste

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