Uma cidade sitiada

Ignorância é força

George Orwell (1903 – 1950) foi cirurgicamente dialético em seu livro “1984”, o qual também poderia se chamar “O Deus, a Pátria e a Família do Grande Irmão”.

Trata-se de uma aula de como governos fascistas estabelecem propositais e planejadas distorções na linguagem. Essa é a tônica do livro de Orwell, no qual o regime de opressão ensina que “Guerra é paz; Liberdade é escravidão; Ignorância é força”. E para o devido controle da linguagem naquela sociedade havia a temida “Polícia do Pensamento”, um dispositivo terrorista sob as ordens do “Ministério da Verdade” para torturar os rebeldes linguísticos.

De tudo, o mais aviltante era o “Ministério da Fartura” que servia jocosa e tragicamente para esconder a fome.

Estamos na ficção? Estamos no livro? Em que ano estamos? Em que país, em qual cidade estamos?

A obra também fala no direito aos “dois minutos de ódio” diários contra os “inimigos” do Grande Irmão, os quais consistiam em gritarias diante de um rosto imaginário. Essa gritaria relaxava os famintos operários antes de adentrarem às fábricas para terem suas forças exploradas.

Quando o opressor fala de “Deus, Pátria, Família”, está falando de quê?

Está falando do deus da mentira, do ódio eterno, da violência constante, que estimula a morte e a destruição do outro. É um deus que desconhece a fraternidade e ensina que as madalenas devem ser linchadas, os pobres agredidos e os leprosos queimados vivos.

E a pátria? Qual pátria? Aquela que foi dizimada em 700 mil mortes por ocultação da vacina?  Aquela que teve seu território ambiental explorado e entregue ao latifúndio mediante o extermínio de comunidades originárias? Seria a pátria da bandeira americana saudada com risível e canhestra continência ilegítima?

Família? Qual família? Aquela de muitas mulheres envolvidas em “rachadinhas”, “rachadas”e “rachadões”? Das mansões e da centena de imóveis? Aquelas de filhos corruptos, psicóticos e desconhecedores do trabalho verdadeiro?

Ou seriam aquelas famílias destruídas pela pobreza, fome e desemprego, cujas filhas foram obrigadas a se prostituir e os filhos traficar qualquer coisa? E as famílias que perderam entes queridos pela violência policial seletiva e gratuita?

Sim, ignorância é força.

Uma força que obrigou a cidade a parar no dia 23 de setembro fechando escolas, instituições, estabelecimentos, igrejas, clubes e ruas. Tudo isso para obrigar pessoas a ouvirem a ignorância falar que a geladeira delas, completamente vazia, está completamente cheia. Ou que a “merreca” de salário que ganham faz jus a um combustível pareado com o dólar internacional, ou que sobram empregos e não há fome, nem pobreza, nem corrupção. 

Claro que só pode ser coisa de um esquizofrênico, candidato disfarçado de presidente e que não só insiste em violar e descumprir leis, como também ensinar e estimular pessoas a igualmente fazê-lo, sob gargalhadas.

Quer saber, big brother? fuck you!





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