Um erro decidiu o título

Batendo Bola

 

José Carlos de Oliveira

 

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Um erro decidiu o título

Toda grande decisão, seja no futebol ou mesmo na vida, faz seus heróis e seus vilões. Essa é uma grande verdade, da qual ninguém pode fugir. E no duelo entre Flamengo e Palmeiras, na tarde do último sábado, em Montevidéu, decidindo a Taça Libertadores 2021, não foi diferente. Em campo, um único lance decidiu a partida, para alegria dos palmeirenses e tristeza dos flamenguistas. 

Na jogada estavam dois jogadores que vivem momentos distintos. Um era idolatrado pela torcida rubro-negra, enquanto o outro só faltava ser espancado pelos palmeirenses, e estava, sim, com seus dias contados no clube de Parque Antártica. Mas bastou um único lance para mudar toda a história. No vacilo do atleta belga-brasileiro (filho de pais brasileiros Marcos Antônio Pereira mas nascido na Bélgica), o imprevisível Deyverson tomou a bola, fez o gol do desempate a favor do Palmeiras – 2 a 1 no primeiro tempo da prorrogação e escreveu de vez seu nome na história do Porco.

 

E agora, como fica?

No apaixonante e imprevisível futebol, notadamente no Brasil, que faz seus heróis e vilões em questão de minutos, o futuro dos dois jogadores segue incerto e tudo dependerá de suas reações, do lado psicológico, nos próximos dias. Enquanto o belga-brasileiro terá que ter cabeça para se recuperar do golpe, Deyverson tem que aproveitar a oportunidade para colocar a sua no lugar e dar um novo rumo à sua vida, dentro e fora das quatro linhas. 

Para Andreas Pereira, se tiver um bom acompanhamento psicológico, não deve haver problema. Tem bola de sobra, seguirá como ídolo da torcida e deve ter seus direitos econômicos adquiridos pelo Flamengo ao Manchester United ao término do período de empréstimo, que vai até meados de 2022. Já o palmeirense só o tempo dirá. Como não tem mesmo a cabeça no lugar, viverá seus quinze minutos de glória, para depois voltar a ser o mesmo Deyverson de sempre, que um dia é herói e no outro vilão.

Previsão de algum adivinho? Não, apenas a constatação de uma grande verdade.

 

Nos túneis

Mas o clássico brasileiro na final da Libertadores traz à tona uma discussão bem antiga: quem é o melhor, o técnico brasileiro ou o estrangeiro? No que depender da final entre Palmeiras e Flamengo, os estrangeiros ganharam muitos pontos a seu favor. Com um time bem inferior ao do rival, o técnico português Abel Ferreira colocou o brasileiro Renato Gaúcho no bolso, e, não fosse a falha de Andreas Ferreira, seria hoje o nome a ser exaltado pela torcida e pela imprensa, pois foi ele, sim, o grande responsável pelo tricampeonato do Porco, dois deles sob seu comando.

Pedir mais do que isso já seria querer demais.

 

Coisas de futebol

Até bem pouco tempo atrás, o português estava para ser escorraçado do Parque Antártica, agora a torcida palmeirense já faz é apelo para que ele não aceite a proposta do futebol árabe. Esse, sim, deu uma tremenda volta por cima. Já Renato Gaúcho está com a corda no pescoço e pode perder o cargo no Flamengo (se é que já não perdeu).

 

 

É campeão! É campeão! É campeão!

Não tem outra, e a massa alvinegra já pode, sim, soltar o grito de campeão. Pode não ser matemático ainda, mas o Atlético já é o Campeão Brasileiro de 2021, bicampeão nacional, e terá no restante do torneio faltando apenas duas rodadas para o término três jogos a disputar e o seu rival Flamengo, quatro partidas. Com a diferença de 11 pontos entre os dois, o mais provável é que o Galo festeje a taça sem estar em campo, com tropeços do Flamengo. 

De toda forma, a Massa já pode preparar o churrasco e colocar a cerveja para gelar, a confirmação do título deve vir antes mesmo da rodada final, e o presente de Natal alvinegro em 2021 chegará bem antes da hora.

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