Um ato de vingança?

Batendo Bola

 

José Carlos de Oliveira

 

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Um ato de vingança?

O atacante Vitor Roque, grande promessa da base do Cruzeiro e que já era apontado por muitos como a grande sensação do time estrelado na atual temporada, “deu uma banana” para a diretoria azul, comandada hoje pelo Ronaldo Fenômeno, dono da SAF, e se mandou para o Paraná. O Athletico Paranaense pagará ao clube mineiro apenas a multa estipulada em contrato para o futebol nacional, que é de míseros 24 milhões de reais, uma “ninharia”, se levarmos em conta o que deve valer hoje, em termos técnicos e financeiros, o atleta.

 

Coincidência?

Pode até parecer uma simples coincidência, mas há, sim, algo de errado por debaixo desse angu. Acontece que o atual diretor de futebol do Furacão é ninguém menos que Alexandre Mattos, que até bem pouco tempo era cotado para assumir o futebol da Raposa e conhecia de sobra a quantos anda os contratos dos jogadores celestes, e se valeu justamente de uma brecha na lei para levar a promessa para Curitiba a preço de banana. 

Se sua decisão foi um ato de vingança contra Ronaldo e sua equipe por mandá-lo embora ninguém pode garantir, mas, que ficou parecendo, isso ficou, sim.

 

Legal, mas imoral

Dentro da lei, nada há que condene o Furacão de ter agido como agiu e acertado com o garoto Vitor Roque. Pagará a multa rescisória e passará a contar com o futebol do jogador. Mas que ninguém se engane quanto ao que vem por aí. A atitude dos dirigentes paranaenses acende o sinal de alerta e muitos clubes terão que rever conceitos para não perder jovens promessas no futebol brasileiro. 

Essa brecha na lei pode ser legal, mas, antes de tudo, é imoral.

 

Nada contra

Tem muita gente nas Minas Gerais jogando pedras para todo lado. Uma hora culpam o presidente Sérgio Santos Rodrigues pela multa ser tão baixa, na outra, a Ronaldo e sua equipe que não evitaram o pior e, por último, ao garoto Vitor Roque, que pensou apenas nele mesmo e se mandou da Toca na primeira proposta que recebeu. 

Todos têm suas razões e ninguém está com a razão.

 

Salário de rei

De uma coisa os clubes podem ter certeza daqui para frente, seus caixas ficarão comprometidos no futuro. Agora terão que assinar contratos milionários com jovens atletas se não quiserem passar pelo que a Raposa está passando. Se mesmo pagando 12 mil reais por mês a Vitor Roque (salário de grandes profissionais) ele se mandou, imagina então aqueles que recebem bem menos (e há milhares deles), como ficará? Vai ter muita gente espionando os adversários para se aproveitar da situação.

 

Tem um culpado, sim

Agora, se querem mesmo culpar alguém, que pelo menos joguem pedras em um telhado certo. E esse é o do senhor Edson Arantes do Nascimento, vulgo Pelé, que idealizou a tal lei que tirou o poder dos clubes e colocou na mão de empresários o destino dos jogadores de futebol no território brasileiro. A Lei Pelé penaliza quem realmente investe nos atletas de base e coloca milionários empresários espertalhões.

Essa é, sim, a única verdade. Querem culpar, culpem ao seu Edson, o Pelé, que como jogador foi o melhor do mundo, mas, como homem, como pai, é apenas um qualquer, um zero à esquerda. Nada mais que isso...

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