Tributo a Chaplin com orquestra é na praça do Santuário

Apresentação promete e está marcada para o próximo sábado

Da Redação

“Um filme com uma lágrima e, talvez, um sorriso.” É assim que Charles Chaplin define “O Garoto”, o primeiro longa-metragem daquele que se tornaria o rei do cinema mudo. Mais atual do que nunca, a obra completou 100 anos e ganha homenagem da Orquestra Ouro Preto, com patrocínio da Gerdau, que fará a exibição do filme e a execução ao vivo da trilha sonora no próximo sábado, às 18h, na praça do Santuário, com entrada franca.

Inspirado na própria infância de seu criador, o filme comove o público há gerações, justamente por abordar questões universais e ainda não superadas, como a desigualdade social, o abandono das crianças menos favorecidas e os tabus enfrentados pelas mulheres quando se tornam mães solo. Chaplin não apenas atuou e dirigiu “O Garoto” como também compôs parte da trilha sonora que ganhará as cores e nuances da Orquestra Ouro Preto sob a regência do maestro Rodrigo Toffolo.

— O Chaplin era um exímio músico, um artista completo, com uma sensibilidade ímpar, que, sabendo das ferramentas que podia usar na época, trabalhava a música de forma muito rica em suas criações.  Já que não tinha diálogos no cinema mudo, toda a ambientação era construída pela música e, como o filme passava pelas mãos e pela cabeça dele, Chaplin fazia com que essa imersão fosse completa, já que escrevia pensando na música e compunha pensando no filme —  contextualiza Toffolo.

Esta não será a primeira imersão da formação mineira no universo cinematográfico, tendo já apresentado o concerto “Música para Cinema”, que foi gravado em CD e DVD no Largo do Rosário em Ouro Preto, “Música para Cinema – Cine Hollywood” e uma primeira homenagem a Charles Chaplin com o filme “O Circo”.

 

Sem graça

Fã declarado de Carlitos e toda a sua filmografia, Toffolo ressalta essa simbiose entre música e imagem. “O que seria do cinema sem a música? Não teria a menor graça!”, reconhece ele.

— Considero que a música é muito mais que um conjunto de sons. Ela carrega consigo símbolos que encontramos na linguagem, traduzindo as mais complexas relações sociais como sotaques, gestos e meios de se comunicar. E é em sua função no universo cinematográfico que essas relações ficam ainda mais claras para todos nós. Podemos exprimir os sentimentos mais íntimos até o maior rompante emocional; de um olhar perdido a batalhas em planetas distantes — explica.

O gerente executivo da Gerdau, Mauro Castro, diz que a empresa acredita no poder transformacional das pessoas por meio da cultura. 

— Por isso, como uma das principais apoiadoras da cultura em Minas Gerais, ficamos muito felizes de poder trazer para Divinópolis essa apresentação que une o Charles Chaplin, um ícone do cinema, com a beleza musical da Orquestra Ouro Preto — destaca o gerente executivo.

 

Contexto 

Em “O Garoto”, Carlitos conta a história de um vagabundo que, num dia comum, se depara com um bebê abandonado pela mãe solo. Ele cuida e ama o pequeno órfão até que, cinco anos depois, a mãe aparece para resgatar a criança. Uma obra comovente, que promete trazer um clima de emoção e nostalgia para o público de Divinópolis, relembrando os tempos áureos do cinema mudo.

A ousadia fica por conta da execução ao vivo, que demanda uma sincronia perfeita entre música e imagem, desafiando ainda mais os músicos da Orquestra e comprovando o compromisso com a excelência e a versatilidade.

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