Tebet defende aliança democrática e nega ter trocado apoio por meinistério

Na avaliação da senadora, atual presidente flerta com autoritarismo e agride instituições

 

 

Bruno Bueno

Senadora e terceira colocada na disputa presidencial, Simone Tebet (MDB) esteve ontem em Divinópolis. A parlamentar visitou a cidade para intensificar a campanha de Lula (PT). O encontro, que reuniu nomes políticos conhecidos, como os deputados federais Rogério Correia, Reginaldo Lopes e os estaduais, Cristiano Silveira e Beatriz Cerqueira. Locais: Laiz Soares (SD) e a deputada eleita Lohanna França (PV). Em entrevista a veículos de imprensa, Tebet criticou Bolsonaro, explicou seu apoio ao petista e negou ter compromisso para assumir um ministério.

Visita

Tebet desembarcou no aeroporto de Divinópolis por volta das 10h30. A senadora marcou presença na avenida 1º de Junho, onde tomou café e se encontrou com apoiadores. 

Simone seguiu em carreata para um hotel na rua Pernambuco, onde ocorreu a entrevista.. Por fim, no mesmo local, participou de um encontro com lideranças políticas do PT. Ex-prefeitos de Divinópolis, como Aristides Salgado e Galileu Machado (MDB) e Demetrius Pereira estavam presentes.

Por volta de 12h, encerrou sua participação e seguiu rumo a Sete Lagoas, em continuidade às ações de campanha. 

Entrevista

Durante a coletiva, Tebet revelou que já conhecia Divinópolis antes de ser candidata à Presidência.

— No programa que nós temos de mais mulheres na política, do Congresso Nacional, nós sempre monitoramos meninas que queriam vir para a vida pública. E eu fui sorteada para ficar com a Laiz [Soares, ex-candidata a prefeita e deputada federal] na disputa para prefeito (...) — afirma.

Também citou os motivos pelos quais escolheu apoiar Lula no 2º turno. Sua escolha envolveu outros aspectos além da política.

— A razão de eu ter feito essa escolha é porque não é uma escolha. Nós não temos dois candidatos democratas no 2º turno. Nós só temos um, o Lula. O Bolsonaro flerta com o autoritarismo, ameaça às instituições democráticas e tudo aquilo que a gente tem de mais sagrado: a nossa liberdade e o nosso direito (...) — disse.

Críticas

Simone prosseguiu suas críticas ao atual presidente e relatou sua experiência no Senado. Ela assumiu o mandato em 2015 e deixa o cargo no fim do ano.

— Eu fiquei três anos e meio como senadora com Bolsonaro no poder. Ele desconstruiu as instituições no Brasil. Ele agride a imprensa livre, diminui os poderes para concentrar o poder na mão de si. Através das redes sociais, produzindo fake news, ele está deturpando a verdade e contaminando a mente dos nossos jovens — relata.

A parlamentar novamente citou pontos que, em sua opinião, foram decisivos para sua escolha política.

 — Estamos falando de um presidente desumano. Que virou as costas no momento em que mais precisávamos dele. Eu estava lá e vi os escândalos de corrupção que a história vai investigar. Crimes, no plural, contra a máquina pública na tentativa de superar vacinas, atrasando 45 dias. Quantos irmãos brasileiros poderiam estar entre nós morrendo faltando uma semana para serem vacinados? — ressaltou Tebet.

Comparação

Mesmo com as críticas, Tebet ressaltou que não é petista e precisou rever suas diferenças com o Partido dos Trabalhadores.

— Primeiro: um é democrata e o outro não. Um é desumano e o outro tem uma lista de serviços prestados à população. Eu não sou petista. Nunca estive com o PT, embora seja progressista na pauta de costumes. Tenho convicção que o Brasil só tem um caminho: o da reconstrução e voltar a unir o nosso povo. Só Lula tem a competência e a experiência de fazer isso — enfatiza.

Simone também falou com os seus eleitores. Em Divinópolis, a senadora teve mais de cinco mil votos.

— Eu peço a vocês que confiaram em mim no primeiro turno. Confie novamente no que estou dizendo. Nós temos que eleger Lula presidente e jogar para o lixo da história o presidente Bolsonaro. Para o lixo, mas não para o esquecimento. Ele não pode ser esquecido. Essa página triste da história tem que permanecer viva para não ser repetida — pontua.

Ainda sobre sua votação, Tebet argumenta que fará o possível para que Lula vença Bolsonaro em Divinópolis. No primeiro turno, o candidato do PL foi vitorioso na cidade.

— A diferença de votos entre Lula e Bolsonaro foi de quatro mil votos. Portanto, eu teria os votos suficientes para ultrapassar. A vitória não é para Lula, não é para o PT, é para o Brasil. (...) Nós estamos votando para salvar o país de retrocessos inimagináveis (...) — acrescentou a senadora.

Ministério?

Questionada se assumirá algum ministério caso Lula seja eleito, Tebet disse que tomou sua decisão sem pedir cargos ou auxílios para o candidato.

— Eu declarei voto no presidente Lula sem pedir absolutamente nada em troca. As 48 horas depois do resultado das urnas foram as mais difíceis da minha vida. (...) Eu tomei uma decisão imediata. Disse para o meu partido que já tinha minha decisão. (...) Eu sabia que poderia estar subindo num abismo e cometendo um possível suicídio político. Isso não me importava — revela.

Denúncias

A senadora também falou sobre as denúncias feitas pela equipe de Bolsonaro que afirmam que houve favorecimento de Lula em propagandas eleitorais na região Nordeste do país.

— São exemplos típicos de um presidente anti-democrático. Ele já está acusando golpe porque vai perder as eleições e consequentemente criando fatos para tentar adiar a eleição, discutir resultados de urnas e levar a eleição para o 3º turno. (...) A eleição é que nem um jogo. Ou você ganha, ou você perde (...) — afirma.

E abordou, ainda, o caso recente de Roberto Jefferson (PTB). O bolsonarista foi detido após atirar em agentes da Polícia Federal na última semana.

— O caso de Roberto Jefferson foi um tiro no pé. O desespero deles é tão grande que eles estão tentando criar crises artificiais diárias. Mas, no despreparo e incompetência, cada vez que eles criam um fato que dá mais votos para o Lula. Cria uma sensação de insegurança no eleitor (...) — critica.

Cleitinho

Tebet foi questionada sobre o senador eleito por Divinópolis e apoiador de Bolsonaro, Cleitinho Azevedo (PSC). Ela defendeu que, se eleito, Lula irá dialogar com a oposição. 

— A possibilidade de diálogo de Lula com eleitores de Divinópolis não precisa de mim e nem de eleitores de fora. Precisa apenas dos representantes legítimos. Eu não tenho dúvida que o presidente Lula vai estar dialogando com todos os senadores e estará ouvindo a oposição de Divinópolis — defende.

Também enfatizou que o Brasil precisa de uma frente democrática para ser reconstruído.

— Se ele for eleito será o presidente do Brasil. Não será do PT ou da esquerda. Será de uma frente democrática que precisa reconstruir o país. Ele sabe das dificuldades e que precisa fazer um amplo conserto — conclui.

Lideranças

Laiz se emocionou ao falar de Tebet. Ela revelou que a senadora foi uma das principais incentivadoras no início de sua carreira política. Para ela, a parlamentar se tornou peça fundamental na disputa.

— Quem diria que a Simone que foi tão boicotada por parte da imprensa se tornaria a peça chave para decidir a eleição — disse.

Ovacionada pelo público presente, Lohanna agradeceu a presença da parlamentar e revelou

— Vou votar de verde e amarelo. (...) Quero um futuro melhor para o meu país. Também quero ser mãe. Quero que minha filha possa se expressar da forma que quiser sem medo de autoritarismo. Com Lula, isso será possível — disse a parlamentar. 

 





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