Tarefa fácil

Tarefa fácil  

Desde o nascimento de uma mulher, ela é condenada ali, nos primeiros milésimos de segundos de vida, a viver com o medo. Definitivamente, ser mulher não é uma tarefa fácil. A todo instante elas são desacreditadas, violentadas, assediadas, diminuídas e por aí vai. Porém, com a – pouca – evolução da sociedade, as mulheres começam a ganhar voz, a ganhar cada dia mais espaço e até mesmo um dicionário próprio. Para quem não sabe, ele é recheado de expressões que exemplificam bem algumas das situações que elas precisam lidar diariamente.  "Mansplaining", por exemplo, é o termo usado para descrever a atitude de um homem que tenta explicar algo a uma mulher, assumindo que ela não sabe sobre o assunto, subestimando sua inteligência. 

Existe também o termo “manterrupting”, que nada mais é do que uma atitude que consiste em interromper a mulher diversas vezes, de forma com que ela não consiga concluir sua linha de raciocínio em uma conversa. Há ainda o “gaslighting”, que é utilizado para descrever a manipulação psicológica na qual o agressor faz a vítima questionar sua própria inteligência, memória ou sanidade. Quem sofre com o gaslighting tende a desconfiar de suas próprias percepções da realidade. Expressões como "Você está louca", "você está exagerando" ou "você está mentindo" podem ser indicativos desse ato. Alguns termos mostram apenas um pouco da realidade do que é ser mulher. 

Alguns acreditam que a sociedade avançou nas últimas décadas, e sim, de fato, houve alguns, mas esses passos ainda não podem ser considerados suficientes para que uma mulher hoje se sinta verdadeiramente livre. Livre do medo, da violência, que, mesmo aumentando as denúncias e as penas para os agressores, elas ainda são vítimas todos os dias.  Mal que cerca elas desde o seu nascimento até o seu último suspiro. Sim! Para alguns pode parecer exagero, mas essa é apenas uma das realidades que as mulheres enfrentam a cada minuto de suas vidas. "Mansplaining", “manterrupting”, e “gaslighting” fazem parte apenas da “ponta do iceberg”. A tudo isso ainda é preciso juntar o medo de ser estuprada, de andar em uma rua deserta, de usar uma roupa curta, de ser agredida por seus parceiros e de ser morta quando não se quer mais um relacionamento. 

De acordo com os dados do Fórum de Segurança, em 2021, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 7 horas. Isso não é apenas um dado, é um fato, uma realidade triste e cruel, que deixa marcas na alma de todas. Definitivamente, ser mulher não é uma tarefa fácil. Boa parte carrega essas marcas no corpo. E é justamente por isso, por esse legado de luta e resistência, que a escolha dos governantes se faz de extrema importância. Afinal, representar uma mulher não é para qualquer um. É preciso ter força, garra. É preciso estar junto, caminhando com elas com o mesmo propósito: mudar a realidade daquelas que estão chegando agora neste mundo, que não merecem passar pelo mesmo sofrimento e carregar marcas na alma e no corpo. É preciso um basta.

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