Sobre Gratidão

WALON DELANO 

Sobre Gratidão 

Das minhas memórias, foi naquela antiga sala das  duas portas ‒ uma para acesso à Redação e outra para receber visitantes ‒ que tivemos nossas primeiras conversas. Ali o fundador, agora majoritário, concluída a carreira militar, no posto de diretor-responsável distribuía funções e conhecimento. Coronel Faria, jornalista, empresário de comunicação. 

Para mim, molecote recém-chegado e ainda  prestes a atingir a maioridade, era um deslumbre saber que bem pertinho das nossas mesas havia um "alta patente". Sim, o Coronel com passagem pela Capital Federal, onde encarregou-se de cuidar da segurança presidencial. O homem de confiança e amigo do presidente. Antes disso, havia servido no Gabinete Militar do Governo de Minas.

Lógico, precisavam dele. Sabia de segurança, de política, de economia,  literatura, de música e esporte. Sabia de tudo e mais um pouco.

Para nós da patuleia, como diria Itamar de Oliveira (imaginando aqui o reencontro e risadas), era um evento poder ouvi-lo.  Sempre tinha muito a dizer. E foi numa dessas oportunidades, entre milhares de lições acumuladas ao longo de nossos magníficos 31 anos de convivência (sendo 18 anos sob seu comando neste JA), que ouvi dele um antigo provérbio: "O dia do Benefício é a Véspera da Ingratidão".

Dizia para ensinar que devemos sempre fazer ao próximo sem esperar nada em troca,  nenhum reconhecimento. Porém continuar fazendo porque muitas vezes seremos lembrados não por aquilo que realizamos, mas pelo que deixamos pelo caminho. 

Em tudo, era à frente do seu tempo. Lá atrás, o Coronel já pregava o exercício da gratidão e a sublime forma de exercê-la. Nos dias atuais, em tempos de empatia, o termo virou até uma breve saudação. 

Bem a gratidão, na concepção do Faria, está calçada também na formação do caráter, na lealdade aos que estão na mesma jornada e na fidelidade aos nossos princípios. 

Coronel Faria era um homem grato. Agradecido pela família, pelos amigos, pelas oportunidades que teve e por tudo que construiu. 

Era fiel às suas convicções. 

Sempre teve lado, jamais posou em muro. Nunca vestiu a burca do isento.  Posicionava-se politicamente de maneira bem clara e ia para o embate se preciso. Vibrava com o time de coração (Tá resenhando com Alair Rodrigues nosso bicampeonato) e não poupava uma brincadeira com os rivais. Era Preto no Branco.

Sua autenticidade o levou longe, mas foi aqui nesta terra do Divino onde muito dedicou sua luz.  

Referência para nossos principais líderes, foi conselheiro, mediador, idealizador. Entregou mais do que recebeu. 

Por falar em gratidão: Coronel Faria, muito obrigado!

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