Só muda a cara

Só muda a cara 

 

O povo brasileiro está a pouco menos de um ano de ir às urnas mais uma vez. Os dados epidemiológicos referentes à covid-19 devem seguir em queda e, em outubro de 2022, os brasileiros vão escolher, mais uma vez, seu presidente, governadores, deputados estaduais e federais e senadores, para os próximos quatro anos. Mesmo faltando menos de 365 dias para a disputa, já nota-se timidamente uma movimentação dos políticos que pretendem a reeleição, e daqueles que tentarão um cargo no Poder Executivo e no Legislativo. Nos bastidores da política, a “coisa” já está mais intensa, mais acirrada. E só quem acompanha de perto a política consegue perceber as movimentações. Sim, para entender a política e notar as suas ações nos bastidores, das mais tímidas às mais escancaradas, é preciso estar acompanhando de perto há alguns bons anos. Talvez seja por isso, por não acompanhar tão de perto o que de fato acontece na política brasileira, que o povo insiste em alguns erros, cai em alguns “contos dos vigários” e não consegue identificar mudanças de posturas e promessas que nunca serão cumpridas. 

É preciso muita perspicácia para notar que até mesmo aqueles que se utilizaram daquele discurso da “nova política”, que se dizem do povo, são tão políticos manjados – ou até mais – quanto os chamados de “velha política”. É preciso estar atento a cada palavra, a cada vídeo publicado, a cada discurso, para entender que, de nova, essa política não tem nada, é apenas a boa e velha, porém, sem termos formais. É preciso acompanhar cada passo, detalhe, para conseguir enxergar que o sistema inadequado está enraizado desde os tempos da coroa e ele apenas se adapta a discursos, roupas, vídeos e posturas. Os conchavos políticos estão tão presentes quanto antes, mas agora são feitos em outros moldes, com discursos mais bonitos, com mais modernidade…

Faltam exatos 45 dias para que 2021 acabe e aquele velho e conhecido ciclo da política comece a todo vapor. Discursos vão, discursos vêm, junto com milhares de promessas, com pedidos de perdão, com vídeos, com dancinhas. Tudo estará de volta, exatamente como é feito a cada dois anos. E, talvez, ainda tenha chegado o momento em que a população brasileira tenha consciência que tudo, absolutamente tudo, apesar dos novos moldes, está exatamente igual. A busca pelo herói continua, mesmo que ele não exista. Agora, a busca é pelo herói moderno. Aquele que vai acabar com a pobreza, que vai melhorar a economia, que trará saúde e educação de qualidade – em outras palavras, fará um milagre. É triste, mas é fato, estamos fadados a continuar neste ciclo vicioso que está longe de acabar e só prejudica a população, quando deveria socorrer. Afinal, é a boa e velha política, porém, sem apego às formalidades. É o mesmo povo, buscando mais uma vez algo que simplesmente não existe. 

Diante das mesmas constatações de sempre, sem esperança de mudanças, pois o povo, por comodidade, aceita, o  desejo é apenas que o estrago nas urnas seja um pouco “menos pior” do que os anteriores. E que os “modernos”, que pregam ser diferentes, possam fazer de fato a diferença na vida daqueles que buscam um herói.

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