Síndrome de Simplício

Síndrome de Simplício 

Caros amigos, venho pelo presente informar-lhes que fui diagnosticado com a Síndrome de Simplício. Acabo de receber o diagnóstico e confesso que ainda não sei o que fazer. 

Com o tempo, os sintomas foram se tornando cada dia mais presentes e o resultado apenas confirmou as minhas suspeitas. 

Tudo começou numa festa, não fui convidada para a selfie, nem para as fotos que duraram mais tempo que a própria festa. No primeiro momento, não entendi muito bem. Depois, deixei de ser convidada para as festas mesmo. Então vi que eu não era interessante. De não interessante passei a ser invisível e depois “persona non grata”. 

Mas como assim? O que foi que eu fiz? 

Eu, um ser humano de 50 anos, heterosexual, com sobrenome Silva, sem pedigree internacional, não vegana, não fumante, não feminista, não ativista político, não praticante de crossfit, pedal, surf, beach tênis, squash ou qualquer outro esporte radical. Sem parentes na política, na polícia e muito menos na prefeitura. Também não sou influencer, não uso roupa de grife, não tenho tatuagem, nem cabelo grisalho, não sou loura, nem negra, nem ruiva, não coleciono nada e para piorar não tenho uma rede social bombada. 

Para me afundar de vez na Síndrome de Simplício eu não fundei nada, não criei nada e não transgredi nada. Eu sou simplesmente uma pessoa invisível, inútil para a sociedade, afinal, eu não trago likes!

Eu até tenho boa saúde, trabalho, pago minhas contas e visito meus amigos; mas isso não parece o bastante para ser considerado alguém. Eu também gosto de filme, de livro, de arte, de planta, de bicho, de vinho, de música e de uma boa feijoada; mas já não sei mais diferenciar o que é bom do que é ruim, correto ou proibido. Tá tudo tão louco. 

Procuro portadores da Síndrome de Simplício, dispostos a bater papo, rir, divertir e sobretudo me provar que eu não estou só. Quem sabe a gente não cria um grupo? Sei lá… Uma roda de conversa que valha a pena? Alguém se interessa?

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