Sete a cada 10 crianças não completam ciclo vacinal contra covid em Divinópolis

Cobertura infantil das duas doses é de apenas 36%; Estado não envia, e imunizantes da Pfizer acabam nos postos de saúde

 

Bruno Bueno

“Eu não tive dúvidas sobre trazer ele.” Assim relatou Deusmara Andrade, mãe de Miguel Bittencourt, de dez anos, primeira criança vacinada contra a covid em Minas Gerais. A experiência da mulher foi recorrente no coração de milhares de divinopolitanos que, com ansiedade, aguardavam a oportunidade de imunizar seus filhos. 

No entanto, a euforia se transformou em desânimo. Segundo informações do Painel Vacinômetro da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), sete a cada dez crianças não completaram o ciclo vacinal contra a doença em Divinópolis. Apenas 36%, de acordo com os registros, tomaram a segunda dose.

 

Números

Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) na tarde de ontem mostram que 12.674 crianças tomaram a primeira dose da vacina em Divinópolis. O número representa 60,45% dessa população. Contudo, apenas 36,22% completaram o ciclo, ou seja, tomaram duas doses. Isso equivale a 7.596 crianças. 

Se os números da vacinação pediátrica preocupam, os registros da imunização adulta apresentam melhora. De acordo com números da Semusa, 199.490 adultos receberam a primeira dose da vacina, o que representa 87,81% da população. Os registros seguem altos na segunda dose ou dose única, com 84,70% da população imunizada. Esse número equivale a 186.250 divinopolitanos.

107.973 adultos, cerca de 57,84% desta população, receberam a primeira dose de reforço da vacina. A segunda, no entanto, contemplou apenas 10.863. Isso equivale a 0,09% que já pode receber o quarto imunizante do ciclo.

 

Faixa etária

Crianças entre 5 e 11 anos apresentam baixa porcentagem na análise etária da vacinação contra a covid-19 em Divinópolis. O grupo é o segundo menos imunizado, perdendo apenas para idosos de 90 anos ou mais. Dados da SES/MG mostram registros de 2,99% para esse grupo.

A faixa etária com maior índice de vacinação é a de adultos com idades de 30 a 39 anos, que correspondem a 17,56% do total. Seguem a lista os adultos de 40 a 49 anos, com 17,37%; 50 a 59 anos, com 15,80%; 60 a 69 anos, com 12,69%; 18 a 24 anos, com 9,92%; 25 a 29 anos, com 7,97%; 70 a 79 anos, com 6,37%; 12 a 17 anos, com 5,98%; 5 a 11 anos, com 1,99%; 80 a 89 anos, com 1,83%; além dos grupos de 5 a 11 anos e 90 anos ou mais.

Os números estaduais ainda mostram que 46,58% do público imunizado é masculino e 53,42% feminino. 

 

Pfizer

A baixa procura da vacinação pediátrica não é o único problema da Prefeitura de Divinópolis. Em nota divulgada na tarde de ontem, o Executivo informou que há três semanas não recebe imunizantes da Pfizer. O envio das doses é de responsabilidade do Governo do Estado. Sem o material, as unidades básicas de saúde estão desabastecidas do imunobiológico adulto.

O estoque dos outros imunizantes ainda não foi afetado. De acordo com a Semusa, Pfizer pediátrica e Coronavac ainda estão disponíveis para o início do esquema vacinal e aplicação da segunda dose de crianças.  

— Na falta do imunizante da Pfizer para pessoas acima de 12 anos, a Coronavac também poderá ser utilizada para iniciar esquema vacinal de adolescentes, como também para iniciar esquema vacinal ou realização da dose de reforço em gestantes e puérperas — relata a Semusa em nota.

Os dois imunizantes (Pfizer pediátrica e Coronavac) estão disponíveis nas seguintes unidades: Belvedere, Bom Pastor, Tietê, Candidés, Ermida, Ipiranga, Nossa Senhora das Graças, Nações, Nilda Barros, Niterói e Serra Verde.

 

Adultos

O início do esquema vacinal de adultos, bem como as doses de reforço, acontece por meio da aplicação dos imunizantes Janssen e Astrazeneca. A vacinação está disponível nas seguintes unidades: Afonso Pena, Belo Vale, Campina Verde, Central, CSU, Danilo Passos, Djalma Dutra, Ermida, Icaraí, Jardinópolis, Jusa Paraíso, Lagoa dos Mandarins, Maria Lúcia Gregório, Morada Nova, Nova Holanda, Osvaldo Machado Gontijo, Planalto, Primavera, Quilombo, Sagrada Família, Santa Rosa, Santos Dumont, São José, São Paulo, Tietê, Itaí e Vale do Sol.

Segundo a Prefeitura, o atendimento da vacinação está restrito em dois casos específicos.

— Para a realização da segunda dose (D2) daqueles que já tenham iniciado o esquema vacinal com a Pfizer (D1) e para as doses de reforço em adolescentes imunossuprimidos que, por ventura, ainda não tenham sido vacinados — informou.

A possibilidade da utilização de doses de outros municípios foi averiguada pelo Executivo Municipal. No entanto, segundo a pasta, a superintendência estadual não viabilizou o remanejamento. 

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