Ser mulher

Ser mulher 

Definitivamente se tem algo que não é fácil neste mundo é ser mulher. Interrompidas em discursos, desacreditadas, assediadas, agredidas, diminuídas. Essas são apenas algumas situações que elas passam diariamente. Uma folha seria pouco para  citar cada uma das agressões que as mulheres vivem no seu dia a dia. Medo. Talvez esse seja o termo perfeito para definir o que uma mulher sente desde o seu nascimento até a sua morte. Medo de andar na rua sozinha, de ser assediada, estuprada, violentada, agredida, desacreditada, julgada e por aí vai. Absolutamente todas as mulheres estão sujeitas a passar por alguma dessas situações em suas vidas. A violência contra a mulher é exercida de várias formas diariamente. Não importa a idade, a cor, a orientação sexual, a classe social ou a religião. Todas estão fadadas a em algum momento serem vítimas de algum tipo de violência. Definitivamente ser mulher neste mundo não é uma tarefa fácil. 

E é justamente por terem que encarar esse cenário todos os dias que as políticas públicas são de extrema importância. É por esses fatores e comportamentos machistas que elas precisam de mais representantes nos Poderes para que possam lutar por seus direitos. Afinal, sem representatividade, sem avanços, é impossível.  Ninguém sabe melhor as dores do que é ser mulher do que outra mulher. Dentre os mais diversos tipos de violência que elas sofrem, uma que vem ganhando destaque e meios de combate é a violência obstétrica. Muita gente não sabe, mas, sim, elas sofrem violência até mesmo na hora que estão dando à luz. Nem nesse momento sagrado e tão importante para a vida delas. Os relatos são os mais diversos e os mais estarrecedores possíveis. Ali, deitadas em leitos de hospitais, elas são xingadas, menosprezadas e sujeitas a procedimentos que na maioria das vezes são feitos sem o seu consentimento. 

Um momento que seria de amor, é motivo de trauma para o resto da vida de muitas. Segundo estudo do artigo “Desrespeitos e abusos, maus tratos e violência obstétrica: Um desafio para a Epidemiologia e a Saúde Pública no Brasil”, publicado recentemente, a prevalência de violência obstétrica tem variado entre 18,3% e 44,3%. Estima-se que uma em cada quatro mulheres reconhece a ocorrência de violência durante o parto. Os dados são alarmantes. Além de reconhecer que se está diante de uma violência, há o sentimento de culpa e impotência. Já está mais do que comprovado que direitos violados causam consequências graves tanto para as mães quanto para os bebês. A violência obstétrica contribui para a manutenção dos altos índices de mortalidade materna e neonatal. Dando pequenos passos rumo à evolução, as vítimas desse tipo de violência contam, em Minas Gerais, com canais da Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de garantir o acesso e os direitos das mães a uma assistência de qualidade e humanizada.

Um pequeno passo que garante futuros grandes avanços. E, talvez assim, com essas políticas públicas, que se tornam um tipo de alento, elas caminham, resistem e continuam abrindo caminhos para as próximas gerações, garantindo que o mundo evolua e reconheça a força de uma mulher.

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