Ser mãe, cultura e amor

Ser mãe, cultura e amor

Mãe deveria ser verbo, deveria ser sinônimo de positividade – quando se está feliz dizer “estou tão mãe hoje” –, ou melhor, mãe deveria ser eterna, não morrer nunca, porque mãe é diferenciada. Mãe deixa de ser, fazer, comer, viver pelos filhos, mãe sente a dor que ninguém vê, e ainda assim supera. Mãe olha o pior dos filhos e encontra nele um tanto de qualidades que só ela vê. Mãe perdoa, mãe acredita, mãe torce até pelo goleiro do time, verdade, onde já se viu? Torcer pelo goleiro, normalmente torce pelo centroavante, pelo meia, mas mãe é mãe, mãe vê até beleza no filho torto, sente alegria em ser, sem nada ganhar, apenas em ser. Mãe briga, mãe puxa orelha, mas mãe sempre quer o melhor para o filho, defende até o indefensável. Se existe um ser que seria um ótimo advogado do réu culpado, sem ter feito sequer um semestre de direito, seria sua mãe, e é capaz de ser melhor que qualquer advogado. 

Dor maior para uma mãe é perder um filho, isso vai contra todas as leis da natureza. É só nessa hora que a mãe esmorece, a mãe cai, é atingida em cheio. 

Pode ter 20 filhos, o amor é o mesmo. E, quando essa mãe recebe um mínimo de reconhecimento, infla, mas diz que não precisa, que faz tudo por amor. Ah, é isso, encontrei, mãe é sinônimo de amor e ponto.

Valorize cada segundo com sua mãe, eu daria tudo para ter só mais cinco minutos com a minha.

Mãe de jeito, de admirar, Luciana ganhou o meu respeito, vem de berço o seu modo de ser,  a ela e a Dona Maria, venho aqui homenagear.

Alguns trechos de frases e poemas sobre o inevitável.

 

“MÃE...

São três letras apenas,

As desse nome bendito:

Três letrinhas, nada mais...

E nelas cabe o infinito

E palavra tão pequena

Confessam mesmo os ateus

És do tamanho do céu

E apenas menor do que Deus!”

(Mario Quintana)



“A minha era de se inspirar 

Mulher de não se abalar,

Brigava, lutava até cansar

Mas sabia como pouco o tal do amar

Jogava futebol, espetacular, 

Montava em touro brabo, de assustar

Era dona Binha, o mode de lhe chamar

Faz tanta falta, que falta o ar

Mas Deus quis lhe levar

Para ao seu lado me abençoar”

(Welber Tonhá)

 

“A mãe reparou que o menino

gostava mais do vazio

do que do cheio.

Falava que os vazios são maiores

e até infinitos”.

(Manoel de Barros)



“Ensinamento

 

Minha mãe achava o estudo a coisa mais fina do mundo. Não é.

A coisa mais fina do mundo é o sentimento.

Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo:

“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.

Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.

Não me falou em amor. Essa palavra de luxo”.

(Adélia Prado)

 

“Mãe, o que é que é o mar, Mãe?" Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagoa enorme, um mundo d´água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. "Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?"

(Guimarães Rosa)





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Welber Tonhá e Silva 

Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09

Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.

Instagram: @welbertonha

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