Sem-tetos deixam quarteirão fechado da rua São Paulo

Entulhos foram retirados e local higienizado; ao menos três casas estão disponíveis para acolher os moradores de rua

 

 

Bruno Bueno

Uma reportagem do Agora, publicada no último dia 23 de fevereiro, evidenciou a grande quantidade de pessoas em situação de rua no quarteirão fechado da rua São Paulo, no Centro de Divinópolis, próximo à Câmara Municipal. Quase um mês depois, os sem-tetos abandonaram o local nesta semana devido às ações da Prefeitura.

Na última terça, servidores do Executivo compareceram ao quarteirão e orientaram os moradores sobre a existência de casas de acolhimento no município. Entulhos, como caixas, sacolas e outros, foram retirados. Estima-se que quase 250 pessoas vivam nessa condição na cidade.

 

Orientação

As ações para orientação e retirada dos moradores começaram na última terça. Com apoio das secretarias municipais de Assistência Social, Operações e Serviços Urbanos, Trânsito, Meio Ambiente e Saúde, os moradores foram orientados e os entulhos acumulados por eles, que encheram três caminhões, foram retirados. 

A secretária de Assistência Social, Juliana Coelho, relata que pelo menos três casas estão disponíveis para acolher os moradores.  

— Todas as pessoas em situação de rua hoje, em Divinópolis, contam com cinco serviços distintos para atendimento direto a eles, três casas disponíveis e com vagas abertas. A equipe de abordagem passou novamente e conversou com os três moradores, todos foram amparados — informou. 

Juliana destaca que o processo para tirar o indivíduo dessa situação e ingressá-lo na vida cotidiana novamente demora, em média, seis meses. 

— Nossa equipe de abordagem está em contato frequente com todas as pessoas em situação de rua, estão todos cadastrados, monitorados, mas é uma questão delicada. O trabalho pode acontecer por semanas ou meses e, em média, são necessários seis meses de atuação para que estas pessoas consigam sair dessa situação. Os técnicos criam um plano de acompanhamento individual de cada indivíduo, para que ele possa ter dignidade —  afirmou.

 

Higienização

Na manhã de ontem, os servidores voltaram à rua São Paulo para higienização do local. A operação, coordenada pelo gabinete do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), voltou a recolher materiais recicláveis na avenida 21 de Abril, também no Centro da cidade. 

De acordo com informações da Prefeitura, nenhuma pessoa nessa situação foi encontrada na rua São Paulo e avenida 21 de Abril.

— Não houve nenhuma intercorrência (irregularidade) — pontuou.

 

Ajuda

As ações, segundo relato do Executivo, continuam nos próximos dias sem data ou horário fixo. De acordo com o prefeito Gleidson Azevedo (PSC), a ação visa à orientação. 

— Serão intensificadas ações como (...) campanhas educativas esclarecendo a população sobre a importância de não dar esmolas, limpeza e retirada dos materiais, parcerias com o comércio e moradores do entorno, dentre outras — enfatizou.

Sem-tetos que forem encontrados nas ruas receberão um auxílio da Prefeitura, garantiu. Serviços da área social e saúde serão oferecidos, assim como a oportunidade de acolhimento nas casas disponíveis. 

 

Números

Segundo a Prefeitura de Divinópolis, em 2020 foram identificadas 200 pessoas em situação de rua. Porém, como é uma população flutuante, o número sofre alterações com frequência.

Atualmente, de acordo com dados da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas) 2.0,  do Ministério da Cidadania, 245 pessoas que estão inscritas no Cadúnico em Divinópolis se declararam em situação de rua. Ainda segundo a assessoria da Prefeitura, desse total, 163 recebem o Auxílio Brasil. 

Pensando nesse dado, incluindo aqueles que não possuem o CadÚnico, o número de pessoas em situação de rua na cidade pode ser ainda maior.

 

Moradia

Existem alguns lugares na cidade que oferecem moradia, alimentação, banho e até mesmo acompanhamento psicológico para as pessoas em situação de rua. A Assistência Social, por exemplo, oferece duas moradias: a Casa de Acolhimento, com 20 vagas e permanência de seis meses no máximo, e a Casa de Passagem, 20 vagas e 3 meses no máximo.

O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecido como Centro Pop, oferece atendimento psicossocial, oficinas, guarda de pertences, alimentação, banho e troca de vestimenta. O serviço funciona de segunda a sexta, no período da manhã.  

 

Atendimento

O Município também conta com o Serviço de Atendimento à População Migrante. O projeto oferece passagens rodoviárias e ferroviárias, entre municípios e estados, àqueles em situação de vulnerabilidade e que residam há menos de dois meses em Divinópolis.

A Casa de Passagem São Francisco, localizada no bairro Niterói, tem capacidade para acolher 16 pessoas. Administrada pela comunidade Sacramento de Amor, em parceria com a Prefeitura, o espaço também oferece serviços de psicólogos, estadia à noite, banho, roupas e refeição para aqueles que não estão institucionalizados no serviço.

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