Sem rumo

Sem rumo

Não é de hoje que a situação do descarte do lixo na região é debatida e busca-se uma solução. Especialmente em Divinópolis, maior cidade com produção diária gigantesca.  Claro que migrar de um lixão a céu aberto, que ameaçava a vegetação local, sítios e quem catava o resto do material – para aterro controlado já foi um avanço. No entanto, não resolve as ameaças anteriores, visto que ainda há o vazamento de chorume. Nem mesmo o sanitário é aprovado atualmente pelas autoridades ambientais. Além disso, enterra riquezas.  Nesse sentido, há uma certa divisão entre os prefeitos das cidades envolvidas. Uns defendem a instalação do sanitário, outros, mais antenados à realidade, a usina de gaseificação. Na verdade, chegou-se a um ponto, que discutir não é o caminho mais, já passou da hora de uma solução, como fez a pequena cidade de Papagaios, próxima a Pará de Minas. A usina por lá funciona há cerca de um mês, a todo vapor. Colocou os municípios maiores, que não saem do lugar, no bolso. 

Não é viável 

Exemplo de que entre as cidades maiores a busca por uma solução ainda é lenta foi a assembleia do Consórcio Intermunicipal de Aterro Sanitário do Centro-Oeste (Cias), realizada na última sexta-feira, 28, em Pitangui. Para se ter uma ideia, dos 35 prefeitos que integram o grupo, apenas 18 compareceram para eleger o próximo presidente. O escolhido foi o prefeito de Santo Antônio do Monte, Léo Camilo (Avante), por 16 votos a 2, dados ao chefe do Executivo de Divinópolis, Gleidson Azevedo (PSC). Há dois pontos a se destacar nesse encontro: a primeira, praticamente a metade das cidades não se fizeram representadas, mesmo se tratando de um assunto tão importante. No segundo, a derrota tão elástica de Gleidson que administra a maior cidade do Centro-Oeste. Certamente, nem ele esperava uma sentença tão amarga. De repente, o resultado lhe sirva de impulso para juntar força a outros prefeitos e lideranças regionais em busca da usina. Afinal, é notória a inviabilidade de se levar o lixo de uma cidade para um local a mais de 30 quilômetros. O custo benefício não compensa. Até porque, há quem diga que o Ceas é inviável. Como passou da hora de ir atrás da usina, também já é até tardio que Divinópolis mostre sua força como referência no Oeste e em Minas e brigue com audácia e ferocidade pelos seus objetivos. 

Falta liderança 

Sobre a necessidade de Divinópolis retomar seu lugar de importância na região, não precisa ir muito longe – anos atrás, por exemplo para se constatar essa vulnerabilidade. Basta ser um bom leitor e ouvinte, conhecer a história da cidade e acompanhar a política. Juntando tudo isso é possível entender que, infelizmente, desde Antônio Martins, os prefeitos seguintes claro, há raras exceções não se preocuparam muito em consolidar uma liderança regional. Papel importante que coube em especial a Jovelino Rabelo, Antônio Martins e Fábio Notini. Outros tentaram, mas foram travados por fatores externos, como questões políticas, sobretudo, o “nem aí” de alguns governadores. Por isso, Divinópolis precisa e merece retomar seu posto. Chegar ao ponto de o prefeito se ajoelhar e implorar  pelo fim das obras no Hospital Regional para chamar atenção do Estado “é o fim da picada”.

Se consolidou 

A Macrorregião Oeste foi criada em 1993 pelo então governador, Hélio Garcia, que criou as dez macros em Minas, na época, visando integrar o Estado, então dividido por regiões atraídas por São Paulo, Rio de Janeiro e a nascente geoeconômica de Brasília. Só a nossa região não se consolidou do ponto de vista geopolítico por falta de um líder nato. Vale lembrar que liderança regional é uma coisa, política é outra. Essa última tem até demais, principalmente por Divinópolis ter quase 200 mil votos e uma população considerável. Mas, talvez, por falta de união – muitas pensam mais em si – a coisa não anda. E, para completar, vem o desastre do governo Fernando Pimentel, que bagunçou tudo.  Dividiu o Estado conforme os interesses do PT e acabou de piorar a situação que já não era das melhores. Lamentável, mas foi feito. O que não é tolerável mais é continuar como está. E isso independe de ano eleitoral. Melhor ainda, fica mais fácil distinguir se o interesse é pessoal ou coletivo. 





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