Sem responsabilidade

O jornalismo, sem sombra de dúvidas, é o quarto poder não instituído do Brasil. É por meio de uma imprensa séria e com credibilidade que a população tem acesso às informações de suma importância para a democracia brasileira - e que evitam danos maiores ao povo. Quer os extremistas queiram ou não, o jornalismo é um dos pilares da democracia. Sem ele, a população seguiria por caminhos ainda mais tortuosos e tenebrosos do que os atuais. A sociedade não sobrevive. Fato. 

É como dizem por aí: uma fake news não aguenta um minuto de um jornalismo sério. Em tempos de sociedade do espetáculo, do vale tudo por acessos, por mídia, por marketing e de poucas pessoas capazes de pensar e raciocinar, o sensacionalismo, infelizmente, tem ganhado espaço. Mas a grande questão é: quem é o culpado? Quem vende ou quem consome? Tornou-se comum encontrar em sites de notícias, em páginas nas redes sociais, empresas fazendo de tudo para chamar a atenção. A palavra “gravíssimo” se tornou a preferida delas no “vale tudo por acesso”. 

Sem qualquer tipo de responsabilidade com o povo, que segue adoecido pela política, sites de notícias fazem de tudo para chamar a atenção, esquecendo-se do quanto esse tipo de medida tem trazido consequências gravíssimas para o país. O dedo rola pela tela do celular e, em poucos segundos de acesso à internet, sempre vem um “gravíssimo”. Muita gente não deve saber, ou talvez nem se interesse de fato, mas o significado da palavra é: aquilo que é sério, duro, penoso, doloroso, profundo, intenso. Mas, o que vale hoje na sociedade do espetáculo não é a responsabilidade que se tem sobre um fato, sobre uma notícia, ou ainda, sobre a forma de abordá-la, e de entregar aquilo ao público. Hoje, na sociedade do espetáculo, o que vale é um acesso, uma mídia, números. Sim! E quando se clica nesse “gravíssimo” é uma notícia totalmente irrelevante, ou talvez algo importante, mas que não necessite de tanto sensacionalismo. 

Diante dos últimos acontecimentos que tomaram conta do Brasil após o segundo turno da eleição presidencial, a verdade é que o que o país menos precisa é de atitudes irresponsáveis. Afinal de contas, ainda não é possível calcular os danos que os atos antidemocráticos trarão. Perpetuar esse adoecimento social por meio do sensacionalismo com certeza não é o que o Brasil precisa e merece. Em pleno 2022 ainda é preciso lutar para que o bom e velho jornalismo com credibilidade não perca espaço e o povo não continue nesse delírio coletivo que parece não ter fim. Muitos podem não gostar, mas um fato indiscutível é que a informação responsável salva. Como salva. Gravíssima, para se falar a verdade, é a falta de responsabilidade com que a população brasileira tem encarado os fatos e se deixado levar por essa doença, que ainda não tem nome. Gravíssimo é querer mudar a realidade em nome só do “querer”. Eu quero e pronto. Que ainda esteja a tempo de este cenário mudar e um pouco de sanidade ser recuperada para que se possa acreditar neste utópico futuro melhor.

 

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