Sem noção

Sem noção

Em um momento em que a covid-19 voltou a ser o principal foco no Brasil, contaminação descontrolada e hospitais superlotados, festas como a de sábado no parque de exposições são descabidas. E não venha falar de autorização da Vigilância Sanitária e protocolos de prevenção adotados. Isso é “conversa para boi dormir”. Pura falta de noção do perigo de quem concedeu alvará, organizadores e, principalmente, de quem se sujeita a aglomerar. Mais do que isso: irresponsabilidade. Em especial de secretários da Prefeitura que, mesmo tendo diversos colegas afastados por covid-19 e deveriam dar o exemplo, se exibiram em fotos se divertindo sem nenhuma proteção. Como cobrar da população que, em sua boa parte, é insensata? Não dá para se exigir respeito sem a contrapartida. 

 

Fracos e iguais 

Enquanto uns se divertiam à vontade no fim de semana, outros recebiam o diagnóstico positivo, centenas eram internados e entubados e muitos perdiam a vida. Intrigante como ocorrem algumas coisas na vida, certo? Sim. Afinal, ninguém é capaz nem de imaginar o que ocorrerá no futuro, mesmo que seja no prazo de um minuto. Mas negligência todo mundo pode evitar. Neste período também, o Brasil registrava mais 135.080 casos. Além disso, há quase 1,6 milhão em acompanhamento e cerca de 300 mortes. Os dados compilados pelas secretarias de Saúde e pelo Ministério da Saúde (MS) assinalam 623.097 mortes em decorrência de complicações da covid. Todos esses dados e outros também alarmantes estão no balanço divulgado no domingo pelo MS, caso alguém ache exagerado e tenha ainda alguma dúvida. Este é o retrato de um país bagunçado nas suas esferas e que tem o apoio de uma população que não conhece o significado da palavra empatia. “Cara de um, focinho do outro!”

 

Aceita que dói menos 

Minas Gerais é o terceiro estado no país com maior  número de mortes por covid, em um total de 56.962. Só perde para São Paulo, com 156.493, e Rio de Janeiro, que contabilizou 69.677 vidas perdidas. Em contrapartida, é o terceiro também que mais vacinou. No entanto, não dá o direito a muitos engraçadinhos que simplesmente acham que o vírus foi embora a sair por aí se contaminando e transmitindo para outras pessoas que nem colocaram o pé para fora de casa. É exatamente por isso que os números são cada dia mais alarmantes e voltam a ameaçar governos e prefeituras, quando tudo poderia  estar caminhando para uma volta, pelo menos, ao quase normal. Esses são os primeiros a reclamar quando a coisa  aperta. Enquanto a pimenta ardia só no olho do outro, estavam sassaricando por aí sem pensar no amanhã. Agora é aceitar calado, dói menos. 

 

“É uma tsunami”

Foi o que disse o secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, em entrevista na última semana. Disse que o  pico real de pessoas infectadas  pelo coronavírus no estado foi atingido naqueles dias. Afirmou que o recorde de casos deve ocorrer até o dia 1º de fevereiro. Isso significa que ainda há mais de uma semana de ansiedade, preocupação e medo. Ele já havia demonstrado apreensão em live anterior com possíveis regressões de onda. E foi mais longe. Ao dizer que a ômicron é capaz de infectar muitas pessoas ao mesmo tempo, relatou as dificuldades de abrir leitos diante da demanda. Diante do relato, precisa ser mais claro? Para  quem se preocupa com o outro, é certo que não. 

 

Menos mal 

Diante do quadro atual, o Ministério da Saúde informou que vai prorrogar por mais 30 dias a ajuda de custos para a manutenção de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) dada a estados e municípios. A medida abrange o custeio para 14.254 mil leitos de UTI covid-19 adulto e pediátrico. O MS não queria, mas se rendeu à demanda do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).  A alegação de ambos é o aumento de pessoas contaminadas pela covid, em especial pelo crescimento do número de doentes infectados pela ômicron. Ou seja, só o ministério e suas decisões equivocadas fingiam não saber  que a  variante já responde por quase todos os resultados positivos de covid-19 no Brasil. Em Minas Gerais, por exemplo, a nova cepa está presente em 100% dos registros da doença. Enfim, os dados estão aí e qualquer um tem acesso, só falta mesmo responsabilidade com o dinheiro público e atenção básica com quem banca tudo: o povo! 



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