Sem máscaras

Sem máscaras

Belo Horizonte é a primeira cidade de Minas Gerais a flexibilizar o uso de máscaras pós-ômicron. O anúncio foi feito pelo prefeito, Alexandre Kalil (PSD), ontem  à tarde, e colocou fim a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos na capital mineira. O decreto seria oficializado ainda fim da tarde desta quinta-feira e vale apenas para lugares abertos. E a medida pode se estender para diversos municípios mineiros. Há cerca de dois meses, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) estuda a flexibilização no uso de máscaras. O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirma que a medida é vista com "naturalidade” e destaca que a decisão só foi adiada por conta da variante ômicron. Porém, a depender da melhora nos níveis da covid-19, isso deve ocorrer nos próximos 15 dias. 

Com as prefeituras 

Na última coletiva de imprensa, o secretário Baccheretti chegou a falar que seria necessário um ok do Estado para haver a flexibilização nos municípios, mas, em termos de recomendação, visto que a decisão continua a cargo das prefeituras. Um exemplo foi Pará de Minas, que, no ano passado, desobrigou o uso de máscaras em ambientes fechados, no entanto, precisou voltar atrás após o crescimento dos casos da variante ômicron. Estado ou prefeituras, isso nem vem ao caso, mas, independente de onde venha a ordem, as pessoas não veem a hora de poder respirar novamente ao ar livre. O que não pode é ir com “muita sede ao pote” – isso vale para as decisões e em especial para a população – é preciso ter certeza dos números e dos atos.  

Rebaixar status 

As mudanças acontecem também em nível nacional. O Ministério da Saúde confirmou ontem, por meio de nota oficial, que estuda rebaixar o status da covid-19 no Brasil de pandemia para endemia. A informação já havia sido antecipada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais. Não resta dúvida que a situação é bem mais tranquila em relação aos dois primeiros meses de 2022, mas, mais uma vez, é necessário muita cautela antes de qualquer decisão, pois ninguém merece mais esse vai e volta com prevenção, tratamento, internações e mortes. 

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Lamentável a reunião entre sindicatos e entidades representativas das forças de segurança pública de Minas Gerais e a Secretaria de Planejamento do Estado ter terminado sem acordo. O encontro foi ontem na Cidade Administrativa, em meio à greve dos agentes iniciada no dia 21 de fevereiro. A recomposição pedida pela categoria é de 24%. Depois de horas de conversa, os representantes da segurança deixaram a reunião insatisfeitos e alegaram que nenhuma nova proposta foi feita pelo governo para resolver o impasse. O resultado do diálogo prejudicado é uma nova manifestação agendada para 9 de março, um dia depois do protesto da Educação. De um lado, o Estado que afirma não poder dar além dos 10% já anunciados, que vai custar R$ 4,5 bilhões ao ano aos cofres estaduais. Do outro, os servidores que tiveram a promessa do reajuste feita, não cumprida e não deixam de ter razão. O fato é que essa situação está indo longe demais e pode ter consequências para todo mundo, incluindo a população. 

Começo e acordo 

A greve começou no dia 21 de do mês passado, após uma manifestação que reuniu centenas de servidores, entre policiais civis e militares, agentes penitenciários no Centro de Belo Horizonte. Sindicatos e a categoria pedem a recomposição salarial de 24% em duas parcelas, como cumprimento ao acordo feito ainda em 2020, quando Romeu Zema (Novo) enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que previa recomposição de 41% dividida em três parcelas, sendo a primeira de 13% em julho de 2020, 12% em setembro de 2021 e 12% em setembro de 2022. Até agora, apenas a primeira foi concedida. As outras duas foram vetadas por Zema. Claro que a situação do Estado, como outros do Brasil afora, é muito delicada financeiramente. Porém, é a tal da promessa que está pegando, visto que ninguém é obrigado a prometer, mas, se o fez, precisa cumprir.

 

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