Sem futuro

Sem futuro

Dizem por aí que para se ter um bom futuro é preciso, antes de mais nada, planejar, trabalhar com previsões. Hoje em dia o que mais se vê são profissionais de “educação financeira” ensinando como guardar dinheiro para se ter um futuro tranquilo. Nessas aulas, se ouve planejar, planejar e planejar. Todo esse planejamento, segundo os profissionais, é para evitar “surpresas” e para que, caso elas venham, que você esteja seguro. É fato que, apesar de muito lindo na teoria, poucas pessoas conseguem de fato executar esse plano, devido à sua realidade financeira. Afinal, como o Brasil tem em sua maioria pessoas de baixa renda, é fato que o pobre precisa comer hoje, precisa estudar hoje, precisa sobreviver hoje, e, dentro do contexto atual, não tem como guardar o que não se tem. Mas é fato que se falta dinheiro para boa parte da população fazer um planejamento mínimo, o que não falta é dinheiro para os governantes. 

Sim, falta muito de um lado, e passa muito de outro, tudo envolvido em um sistema totalmente desequilibrado. Porém, é possível afirmar, com 100% de certeza, que, se os ditos representantes do povo trabalhassem com esse tal “planejamento”, sem sombra de dúvidas, as coisas por aqui estariam bem melhores e talvez até harmônicas. Divinópolis pode ser hoje um dos exemplos disso. E isso não é um “privilégio” da atual Administração, muito menos da atual legislatura. Esta situação se arrasta há anos e afunda cada vez mais a cidade em um perfeito e absoluto caos. Foi-se o tempo de ouro em que a cidade podia contar com governantes organizados, ambiciosos e que tinham como meta trazer desenvolvimento para o município. 

Por aqui, atualmente, a coisa é feita meio que a “toque de caixa”. As tragédias precisam acontecer primeiro para depois vir uma solução. Nesta semana mesmo, os divinopolitanos tiveram a comprovação disso. No último domingo, uma mulher de 57 anos morreu atropelada na MG-050, na entrada do bairro Quintino. O local não tem travessia de pedestre. Diante da mobilização do caso, os governantes, que já estavam “carecas de saber”, enfim se movimentaram e anunciaram que a passarela será instalada no local - o que, segundo a empresa responsável pela obra, não constava no projeto de duplicação do trecho. Este é apenas um dos exemplos que poderiam ser citados, como aumento dos casos de covid-19 no início deste ano, as chuvas, buracos na cidade e por aí vai...

Mas é justamente nesse ponto em que se faz a pergunta: como sonhar com um futuro melhor, se não há planejamento, se o presente está péssimo? Como almejar ter dias melhores se não há sequer uma luz no fim do túnel? Se tapam buracos, mas não melhoram a rede pluvial? Se tem dinheiro, mas não há planos a médio e longo prazo? Se tem rodovia, mas não tem passarela? Se tem hospital, mas não tem plano? A resposta talvez não seja a que todos esperam, mas, com certeza, ela está mais clara do que nunca e bem na frente da população, que seguirá apenas sonhando deitada em berço esplêndido. 

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