Secretário visita empresas em busca modelos ‘ideais’ para gerir UPA

Instituições de três estados diferentes devem se candidatar na nova licitação; Alan Rodrigo também falou sobre Hospital de Campanha, Policlínica e pandemia

 

Bruno Bueno

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Divinópolis pode ter quatro possíveis candidatas para assumir a sua administração. Ao menos é o que indica o secretário municipal de Saúde, Alan Rodrigo, que afirmou, em entrevista exclusiva ao Agora na tarde de ontem, que conversou e conheceu a gestão de quatro unidades localizadas em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 

A mudança é necessária após a Prefeitura, no mês passado, rescindir o contrato com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), que administra a UPA Padre Roberto desde 2019, quando a Santa Casa de Formiga deixou a direção da unidade  por suspeita de irregularidades. Uma nova licitação será feita para definir a nova empresa. Segundo o secretário, a Prefeitura está otimista com o que viu nas instituições.

— Por razões óbvias, a gente não pode divulgar o nome, mas são distintas e a atual instituição que administra a UPA não está envolvida. Estivemos em Betim e visitamos uma empresa que administra um equipamento de saúde com acreditação nível 2. Estamos otimistas com o que vimos — relatou.

 

Prazo

Alan também explicou sobre o prazo estipulado ‒ seis meses ‒ para a saída da IBDS. Ele admitiu que o Executivo pretende encerrar o contrato antes do período.

— O prazo que estipulamos na portaria foi de até seis meses, mas queremos adiantar ao máximo. Esse processo, no entanto, envolve outras secretarias. A gente tem feito um trabalho intenso para zelar pela qualidade desse documento para que a gente não cometa os erros do processo anterior (...) — salientou.

 

O secretário enfatizou que a pasta está realizando diversas ações para definir as empresas que vão participar da licitação.

— A gente tem trabalhado desde a edição desta portaria para especificar e focar em melhorar esse termo de referência. Para isso, estão sendo feitas visitas, contatos e videoconferência com algumas empresas e secretários de saúde de outras cidades para trocarmos experiências e ver o que a gente pode trazer de melhor para Divinópolis — explicou.

 

Hospital de Campanha

Ao falar da nova gestão da UPA, o secretário aproveitou para esclarecer a situação do Hospital de Campanha, que foi desmobilizado no começo desta semana. De acordo com o chefe da pasta, o número de atendimentos cresceu desde a mudança.

—  Em dois dias que a gente desmobilizou o hospital tivemos um aumento nos atendimentos e na ocupação. A presença de pacientes verdes e azuis, que são aqueles que não necessitam de atendimento de urgência, dobrou nesse pouco tempo. Não é uma decisão só do Município, o hospital é financiado pelo Estado e a União — ressaltou.

Alan Rodrigo esclareceu que a Prefeitura não tem condições financeiras de manter o hospital.

— Eles notificaram o Município, mas, para arcar com esse custo, teríamos que retirar o financiamento da atenção primária e da Policlínica, por exemplo. No entanto, entendemos que foi uma decisão acertada em retirar os leitos nessa situação da pandemia — enfatizou.

Ainda sobre a pandemia, o secretário disse que o ciclo ainda não foi concluído e pediu que a população continue mantendo os cuidados necessários para evitar o aumento dos casos.

— Ainda vivemos num ciclo pandêmico. (...) É necessário que a população tenha seus cuidados como: higienização de mãos, (...) uso da máscara e manter um certo distanciamento principalmente em ambiente fechado.  (...) O cenário é favorável? Sim, muito. Talvez a gente nunca tenha tido um período desde o início da pandemia tão favorável.  O fator predominante é a vacina que, com o aumento da cobertura, tem relação direta com a queda nos casos — pontuou.

 

Policlínica

O líder da Saúde foi questionado pela reportagem sobre as péssimas condições da Policlínica Central. Na semana passada, o Agora trouxe uma série de denúncias de pacientes que reclamaram da estrutura do local que, conforme relato, está com mofo e rachaduras em diversos pontos.

— Eu já solicitei, em março, que a Vigilância Sanitária (VS) fizesse uma força-tarefa para inspecionar todos os nossos serviços. A Policlínica nunca havia recebido a visita dos fiscais. (...) É uma estrutura muito antiga, que existe há 80 anos. Ela precisa ser modernizada. (...) Fizemos um plano de ação (...) para realizar as reformas necessárias para adequar aquela estrutura física para melhorar o atendimento à saúde — disse.

No entanto, admitiu que ainda não existe um prazo para o início das obras de reparo.

— Estamos fazendo um levantamento de custo para abrir um processo licitatório. Emergencialmente, pretendemos resolver no prazo mais rápido possível. É um problema que se arrasta por anos. Queremos resolver isso ainda em 2021 — afirmou.

 

Semusa x São João

Por fim, Alan voltou a falar sobre a discussão envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e o São João de Deus. Em setembro, a pasta do Executivo apresentou possíveis irregularidades no lançamento de procedimentos realizados no hospital. Reuniões e prestações de contas na Câmara Municipal aconteceram para esclarecer a situação.

O secretário disse que, na sua opinião, a situação está resolvida.

 — Eu acredito que sim. Fizemos uma reunião de prestação de contas com o hospital para esclarecimentos. (...) A Câmara fez um papel primordial e primoroso de dar transparência e de sanar divergências. A Semusa e o São João aprenderam com isso. A situação alinhou os laços das instituições (...) Isso sempre aconteceu. O que a gente avalia é se isso é uma tendência. Se for, iremos encaminhar para o Ministério Público e eles tomarão as providências — concluiu.

 

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