Secretário reconhece aumento de casos covid, mas não vê indícios de nova onda

Situação, segundo chefe de Estado da pasta, está sob controle; alerta é pela vacinação

 

Matheus Augusto

Os casos confirmados de covid-19 voltaram a aumentar em Minas Gerais. Em coletiva na manhã de ontem, o secretário de Estado de Saúde atualizou o cenário da pandemia, classificado como “sob controle”. Dentre os principais esclarecimentos, o chefe da pasta mencionou não ver indícios de uma nova onda, apenas a confirmação da expectativa de que a doença tornou-se sazonal. Com isso, pelos próximos anos, nas estações de inverno e outono, os casos de coronavírus devem aumentar, uma vez que o período é propício à disseminação de doenças respiratórias.

 

Apenas casos leves

A coletiva começou com o reconhecimento do aumento de casos. No entanto, os contaminados não têm desenvolvido os sintomas graves da infecção. Um dos fatores é a “cepa menos grave", além do alto índice de vacinados. 

— Há um aumento na média móvel de casos no estado como um todo, mas com a manutenção da baixa de óbitos. (...) Temos novos casos, mas não temos aumento grande de interações por covid e óbitos — afirmou Baccheretti. 

 

Sazonalidade

O secretário destacou, ainda, que o aumento era esperado. Com o avanço da cobertura vacinal, a avaliação da pasta é ver a covid-19 crescendo apenas em épocas específicas do ano, durante períodos favoráveis à circulação de síndromes respiratórias. 

— Agora, a covid passa a ter um caráter sazonal. Em épocas de outono e inverno, a covid vai aumentar. (...) O que estamos observando já era esperado, não há nenhuma surpresa, não há cepas novas, nem um momento de fragilidade vacinal. (...) Não há motivo de imaginarmos uma retomada da pandemia ou uma 4º onda, é apenas a sazonalidade das doenças respiratórias —  avaliou. 

 

Contaminação

Baccheretti ressaltou que algumas regiões, como Uberaba e Uberlândia, em situação pior, têm “puxado os dados para cima”, mas já sinalizam estabilização. 

Atualmente, Minas tem 61 casos para cada 100 mil habitantes, positividade considerada baixa. 

— Ainda é muito baixo se comparado ao que vivenciamos em janeiro e fevereiro deste ano — comparou. 

 

Crianças

Um dos grupos mais vulneráveis às doenças respiratórias é o das crianças. Segundo o secretário, o cenário é similar a outros períodos anteriores à pandemia. 

— A maior parte das internações não é por covid, mas por outras doenças. A covid é um vírus a mais, mas não é o principal — informou.

A preocupação, porém, é com a imunização. Cerca de 540 mil crianças mineiras ainda não procuraram a segunda dose. 

— A imunização se dá com duas doses pediátricas. (...) As crianças são as que mais se acometem com doenças respiratórias, as vacinas estão disponíveis — alertou.

 

Vacinação

Com a chegada do inverno, outro grupo de  preocupação são os idosos. Quem tem acima de 60 anos já pode tomar a 4ª dose.

— Estamos dando oportunidade aos idoso de tomar a 4ª dose para que ele passe o inverno protegido. (...) A arma contra a covid está disponível, não podemos deixá-la de lado —  frisou.

A baixa procura pela vacinação, reflete o secretário, é resultado da desinformação e do relaxamento das medidas de proteção.

— É sempre no aperto que as coisas acontecem. (...) — Vendo as pessoas adoecerem, o número de casos de covid aumentar, a gente deve ter um aumento de vacinação. Isso aconteceu em todas as ondas. Toda vez que houve aumento, as pessoas correram para o posto de saúde com medo e tomaram a vacina. As pessoas se acomodaram, acharam que a epidemia acabou e não buscaram a vacina na hora certa — lamentou.

 

Busca ativa

Em continuidade ao processo de vacinação, a recomendação é para os municípios realizarem uma busca ativa dos cidadãos. O objetivo é “levar a vacina para a rotina” de quem está apto a tomar nova dose. 

— As pessoas não querem parar o que estão fazendo para tomar a vacina — justificou.

A insistência junto aos municípios visa ampliar a oferta de vacinas em pontos estratégicos, como rodoviárias, praças e na região central. 

 

Máscara

Em decisão recente, o governo estadual desobrigou o uso de máscaras em locais fechados. Agora, com a nova alta de casos, algumas prefeituras já anunciaram a volta das restrições. Em Nova Lima, por exemplo, a proteção facial voltou a ser obrigatória em hospitais, clínicas e escolas. No entanto, as decisões são municipais. O Estado não pretende determinar a obrigatoriedade. 

Baccheretti destacou que o cenário em Minas não é homogêneo, com regiões em situações diferentes em relação à pandemia. Por isso, cabe aos municípios a autonomia de avaliar quais as medidas necessárias para frear o avanço da doença.

— A Secretaria respeita a autonomia dos municípios devido às diferenças de indicadores entre as cidades — citou.

Porém, a máscara segue recomenda em ambientes fechados com alto volume de aglomeração, como no transporte público. 

— A máscara é uma recomendação. É uma rotina que deve continuar por anos em épocas de outono e inverno — mencionou. 

A afirmação refere-se, em especial, à proteção facial de crianças em escolas. Além disso, “quem estiver gripado, criança  ou não, deve usar a máscara para evitar o contágio”.

 

Futuro

A perspectiva sobre o enfrentamento da doença ainda é incerta. “Ainda não existe nada definido”, citou o secretário. No entanto, o principal consenso entre os secretários de saúde deve ser o trabalho em prol da aplicação da 4ª dose em pessoas com mais de 18 anos e da 3ª em adolescentes acima de 12. 

Diante da sazonalidade da doença, a vacinação contra a covid pode se tornar, assim como outras doenças, anual.

— É uma expectativa nossa também que todo ano, junto com a gripe, a gente tome também a vacina de covid anualmente — frisou. 

O ideal, segundo Baccheretti, seria a aplicação sempre entre janeiro e fevereiro. 

—  Os estudos mostram que a 3ª dose, em quem não é imunossuprimido ou não tem mais de 60 anos, não há uma perda de imunidade a curto prazo, então elas estão protegidas —  frisou.

 

Pediatras

Durante a coletiva, o secretário também abordou um tema discutido nas reuniões da Câmara, em Divinópolis: a ausência de pediatras nos postos de saúde. O assunto tem sido alvo de relatos do vereador Hilton de Aguiar (MDB), que reclama da superlotação de crianças na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). 

— A maior parte dos casos em crianças é leve, elas vão às UPAs, mas poderiam ser atendidas até no posto de saúde, mas infelizmente temos o problema de ter pediatras nesses locais — citou o chefe da pasta.

Segundo o secretário, a dificuldade de contratação de pediatras é comum nas cidades mineiras. 

— Não é novidade. É um problema do estado inteiro (...) Vem de anos antes da pandemia, a pediatria sempre sofre em meses sazonais de doenças respiratórias. Há uma dificuldade clara de contratação. Quando a gente pensa no atendimento em rede, muitas crianças que buscam atendimentos em UPAs ou em hospitais não precisariam estar ali. São casos leves que deveriam ser cuidados em postos de saúde. E a gente vê os postos sem pediatras e até médicos clínicos — citou.

Baccheretti mencionou o aumento dos repasses para atenção primária de R$ 280 mil, em 2018, para quase R$ 1 bilhão, no ano passado. 

— O problema não é de recurso financeiro, o problema é a carreira médica. Muitos pediatras não querem ir para o interior porque ele sabe que muda a gestão, acaba tendo que sair e preferem ficar perto dos grandes centros — relatou.

Com isso, a Secretaria discute medidas para fortalecer os postos de saúde e “interiorizar os médicos”. 

—  Se a atenção primária estiver bem feita, com o acompanhamento das crianças, sobrecarrega menos as UPAs e os hospitais. (...) Atualmente, temos uma concentração de médicos nos grandes centros urbanos e as regiões em volta ficam com essa demanda — acrescentou.

 

Gripe

Para além da covid, outra preocupação é o calendário de vacinação infantil, que não tem atingido as metas. Sobre a gripe, a campanha segue até o próximo dia 3 focada exclusivamente em crianças de seis meses a cinco anos, idosos acima de 60 e trabalhadores da saúde. 

— Em todos os grupos estamos longe de nossa meta. A gripe circula hoje mais do que a covid e pode causar casos graves. 

Após essa data, a vacinação será aberta ao público geral.

— Não dá para ficar com a vacina parada — argumentou.

 

Sarampo

Previamente erradicada, Baccheretti também destacou preocupação com o sarampo.

— Já foi erradicada, mas voltou por ter baixa adesão de vacinação. (...) É uma doença muito mais contagiosa que covid e já foi erradicada por vacinação, então podemos vencer essa luta

Até o momento, apenas ⅓ das crianças se imunizaram. 

 

Poliomielite

A vacina contra a poliomielite é outra abaixo da cobertura vacinal. 

— Temos níveis de vacinação menores do que nos últimos 20 anos. Estamos atrasando em 20 anos um ganho que conquistamos em relação à vacina — citou. 

 

Tríplice viral

A mesma afirmação também é válida para a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). 

— Demos um passo largo para trás em relação ao calendário vacinal das crianças. Vamos deixar o calendário em dia, são doenças que podem ser evitadas com uma simples vacina — recomendou aos pais.

 

Varíola de macacos

Outro tema abordado durante a coletiva foi a varíola de macacos. Mesmo sem casos no Brasil, o secretário espera “casos pontuais”, mas sem risco de epidemia. Com isso, o trabalho da SES-MG será voltado à identificação e acompanhamento dos pacientes eventualmente contaminados.

— A transmissão se dá basicamente em contato, não é pelo ar. (...) É um vírus que deve chegar aqui pontualmente. (...) Não vejo nenhum risco, nem a curto nem a médio prazo, de uma epidemia — afirmou.

 

Hepatite misteriosa

Sobre a hepatite misteriosa, doença de causa desconhecida, o secretário expressou tranquilidade. Em Minas, são oito casos suspeitos em investigação. 

— Não é uma doença com risco de epidemia. Não é motivo de preocupação, mas de acompanhamento — finalmente. 









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