Se tá ruim...

Se tá ruim... 

 Um lucro astronômico de R$ 44,5 bilhões somente no primeiro trimestre deste ano. Essa é a realidade da Petrobras, que segue aumentando, sem dó nem piedade, os preços dos combustíveis. No início desta semana, a estatal anunciou um reajuste de 8,9% sobre o preço do diesel, que é insumo principal para o transporte rodoviário, elevando o valor do litro nas bombas para em torno de R$ 7 em praticamente todas as regiões do Brasil. O anúncio, claro, impactou de forma negativa os caminhoneiros do país, que já falam novamente em greve. E a tendência, de acordo com especialistas, é piorar – assim como tudo no Brasil. A sensação que se tem é que o país está em um carrinho de supermercado, descendo uma ladeira, totalmente desgovernado. Onde esse “carrinho” vai parar? Essa, hoje, é a grande pergunta. A situação tem levado cada vez mais caminhoneiros a mudarem de ramo e transformado, cada vez mais, carros em artigos de luxo. 

Segundo especialistas, novas altas dos combustíveis devem ser anunciadas até o fim do ano – o que automaticamente torna tudo muito mais desesperador. Afinal de contas, como sustentar isso? Como continuar a sobreviver a essa política de preços, que impacta diretamente o trabalhador? O que torna tudo mais caótico é justamente pensar que a tendência é piorar. Como dizem por aí: seria cômico se não fosse trágico. O cenário do setor afetou até mesmo quem tem “dinheiro para arrastar de rodo”, como o cantor Gusttavo Lima, que reclamou do valor da gasolina em suas redes sociais. E se a coisa está ruim para ele, imagina para os trabalhadores? Pense para quem depende diretamente do valor do combustível para colocar comida dentro de casa? A solução é literalmente apertar os cintos, pois esse “carrinho” continuará descendo a ladeira, totalmente desgovernado. 

Como aqui é Brasil, o tradicional “jogo de empurra” já começou. De um lado, pressionado pelos caminhoneiros, que o acusam de não ter cumprido suas promessas de campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ataca a Petrobras. Mas de que adianta ataques, discursos bonitos porém rasos, e súplicas? O brasileiro continua pagando mais de R$ 7 no litro da gasolina. O trabalhador continua sendo “encurralado” todos os dias. E os caminhoneiros com a “faca no pescoço”, próximo de completar quatro anos da grande greve da categoria. É impossível não questionar: o que falta por parte das autoridades brasileiras para com o povo? Dó, piedade, ou responsabilidade? Por que, se a coisa está começando a ficar ruim para o lado de lá, imagina há quanto tempo não está ruim para o lado de cá? 

Com este cenário injusto, a única conclusão que se chega é trabalhar muito e torcer por uma mudança de cenário. A conta chegou e, do jeito que está, o brasileiro não tem como pagar. A começar pela cesta básica beirando os R$ 700.

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