Sacos de vômitos a postos

CREPÚSCULO DA LEI – Ano IV – LXXIX

 

Sacos de vômitos a postos 

O sul-africano (Pretória) Elon Musk esteve recentemente no Brasil. Trata-se do homem mais rico do planeta graças à pandemia, período que o ajudou a aumentar sua fortuna em 70% ainda em 2021.

Foi o próprio Musk quem escreveu em seu Twitter, 2020, quando do golpe na Bolívia – país rico em lítio – “Vamos dar golpe em quem quisermos! Lide com isso” (sic). Sim, estamos lidando com isso.

A ameaça serviu para esclarecer ao mundo que países periféricos servem apenas para servir aos países centrais.

Então temos realmente que lidar realmente com isso, como de fato estamos. Em sua “visita” ao Brasil, Musk instalou-se em um hotel de luxo no interior de São Paulo e fez do saguão seu gabinete de recepções. 

Até o mandrião que ainda ocupa a presidência foi até lá, ser recebido por ele. Tal qual um vassalo das terras longínquas, o mandrião levou u’a medalha (?) ao seu senhor tecnofeudal.

Principal monstrengo da teratologia política (por sinédoque) dos capachos subservientes, o mandrião que ocupa presidência disse, no saguão, que estava diante do “mito da liberdade” (...). Disse também que o (tal) mito da liberdade estava ali para levar internet aos confins da Amazônia.  (pausa para o saco de vômito)

Para ouvir adequadas monstruosidades, no sinistro saguão do hotel estavam confortáveis e concordantes bilionários brasileiros “preocupados, muito preocupados” com o Brasil, com a Amazônia e com a internet para a Amazônia. Coisa de arrancar lágrimas (...de sangue!).

Lá estava o bilionário André Esteves, majoritário do BTG Pactual e intimamente ligado a Paulo Guedes, ministro da economia. Eles conversam muito. O BTG Pactual é o grupo econômico que mais cresceu no país depois do golpe de 2016.

Lá estava o “bilionário dos genéricos”, Carlos Sanchez, presidente das empresas EMS, Germed Pharma e Legrand, com objetivo de criar seu laboratório multinacional no Brasil.

Lá estava o investidor bilionário da Galápagos Capital, Carlos Fonseca, especialista em “venture debt”, ou seja, crédito rápido com altas taxas de juros.

Lá estava Alberto Leite, bilionário do ramo da segurança digital e aplicativo de conteúdo em “nuvens” (?) e microsseguros, da empresa FS Security.

Lá estava o bilionário da MRV Engenharia, “quase dono” do Atlético, acionista da CNN, Rubens Menin.

Lá estava o bilionário conhecido como “rei do luxo”, José Auriemo Neto, responsável por investimentos de alta renda no Brasil do grupo Fasano pela construção de shoppings centers.

Lá estava o bilionário do agronegócio (sempre eles) Ricardo Faria, um dos maiores latifundiários do país, da Granja Faria S.A., ligada à Perdigão.

Lá estava outro bilionário do agronegócio, Rubens Ometto, do Grupo Cosan, empresa listada em lista suja do Ministério do Trabalho por envolvimento com exploração do trabalho na condição análoga à escravidão – cana-de-açúcar.

Havia outros, mas a amostragem já é suficiente para decodificar os reais objetivos do “encontro” em um núcleo de pessoas que se empenhou ativamente para ganhar dinheiro na pandemia, sem qualquer mobilização concreta que pudesse socorrer tantas vítimas.

Representantes do povo, não havia nenhum. Dos índios? Nem pensar. Dos direitos humanos? Jamais.

O tal Musk está mesmo é interessado em “farejar” com seus satélites (não geoestacionários) o lítio, o níquel e o cobalto para seus empreendimentos, inclusive espaciais, através de suas empresas Starlink e Space X, cujas autorizações (se) dadas, por pressão pela Anatel, devem revistas na forma da lei.

O sr. Musk, além de tornar o mundo mais pobre, quer explorar a Amazônia ao máximo, em seu proveito e de quem dividir-lhe a cumplicidade. A reunião foi clara e o mandrião ficou feliz.

De lambuja, o “mito da liberdade” também leva a possibilidade de uso da base de Alcântara-MA para seus eventuais e lucrativos voos particulares para a lua. (De volta aos sacos de vômito).

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