Rússia: brasileiros relatam situação na região de conflito

Um dos brasileiros está em território russo e outro, na Ucrânia

Da Agência Brasil

Agência Brasil conversou com dois brasileiros que estão na região do conflito de Rússia e Ucrânia. A percepção deles - um em território russo e outro na Ucrânia - é diferente. A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou a prontidão de dois aviões multimissão KC-390 Millenium para um possível transporte de brasileiros evacuados da Ucrânia.

Marianna tem nacionalidade ucraniana e morava no país há dois anos.

— Atualmente estou em Cracóvia, na Polônia, por orientação da minha empresa e pelos riscos da guerra — relatou.

Ela deixou o país no dia 15. Marianna conta que os pais, ucranianos, estão no Brasil, mas o irmão, a cunhada e o sobrinho ainda estão em Kiev.

— Bastante apavorados — disse.

Segundo Marianna Petrovna, os familiares dela estão abrigados em casa, especialmente na parte de baixo, onde é mais seguro em caso de bombardeio.

— Vejo vídeos de tiroteios, bombardeios e ataques o tempo todo. Muitas cidades e bairros estão sendo fortemente atacados. — Ela afirmou que há relatos de brasileiros presos na fronteira com a Polônia.

Em São Petersburgo, na Rússia, está o estudante brasileiro Túlio Bunder.

— Comecei meu mestrado em política comparada da Eurásia, no meio do ano em 2020, então meus estudos estavam sendo online, do Brasil. Quando abriu a fronteira para estudantes, eu vim para cá, no começo de janeiro. Estou aqui faz um mês e quinze dias — disse.

Túlio relata que não tem contatos com brasileiros no país, apenas com outros estudantes estrangeiros da América Latina, que são venezuelanos.

— Neste momento, não há nenhum clima de tensão, no sentido de pânico, dentro da comunidade dos estudantes. Óbvio que há certa preocupação com o que pode vir a acontecer, a gente não sabe ainda — apontou.

Túlio relata que, embora o conflito já estivesse sendo desenhado há bastante tempo, não havia muita crença de que os bombardeios começariam.

— Ninguém botava muita fé aqui, então, nesse sentido, foi algo, vamos dizer assim, não inesperado, mas muita gente duvidava que haveria tal conflito, nesses níveis, nessas proporções — contou à Agência Brasil.

Na percepção do estudante, os russos têm “reagido de uma forma surpreendente calma”.

— Estive no mercado [na quinta-feira], em um grande supermercado, estive no centro da cidade. A impressão que eu tive é basicamente de um dia normal, claro com algumas pequenas alterações, mas muito irrisório, muito pequeno mesmo, comparado com a dinâmica da cidade — acrescentou.

Túlio citou, entre as movimentações que poderiam fugir da normalidade, uma maior presença de policiais.

— Isso foi o que eu pude ver, não vi nenhuma grande mobilização popular, o que eu vi foram viaturas indo de um lado para o outro. O que também pode ser interpretado como questão de protestos locais, mas também com preocupação de ataques e sabotagens internas, existe também essa preocupação — afirmou.

Ele destaca ainda que, entre as apreensões que tem ouvido de colegas, uma delas é a questão econômica.

— Por causa das possíveis novas sanções e dos impactos macroeconômicos que podem surgir no médio e longo prazo — finalizou

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