Reunião da Câmara é marcada por elogios ao desfile e cobranças por melhorias na Saúde

Apenas um projeto foi aprovado; em mais um discurso exaltado, Diego Espino fez duras críticas à Divinaexpo

Matheus Augusto 

Elogios ao desfile cívico de 100 anos de Divinópolis, críticas à gestão da Saúde e cobrança pela revitalização do Centro Industrial foram algumas das pautas apresentadas na reunião de ontem na Câmara. Na oportunidade, o único projeto na Ordem do Dia, o PL CM 73/2022, de Lohanna França (PV), também recebeu aprovação com voto favorável dos oito vereadores presentes e segue para sanção do prefeito Gleidson Azevedo (PSC). 

Caso seja oficializado, a proposta cria a política "Lacre solidário: ajude na lata", que obriga estabelecimentos públicos e privados com comércio de bebidas enlatadas a disponibilizarem ponto de coletas dos lacres. 

Lohanna defende a medida como forma de proteção do meio ambiente e incentivo à reciclagem.

— Assim, o presente projeto contribui para a conscientização da população sobre a importância da reciclagem, cuida do meio ambiente e, ainda, possui um papel social ao possibilitar que os lacres arrecadados sejam doados para instituições que vão adquirir cadeiras de rodas para distribuição à população carente do município — defende na justificativa.

 

Parque Industrial

A reunião foi aberta com o discurso da presidente da Associação Comercial Industrial, Agropecuária e Serviços de Divinópolis (Acid), Alexandra Galvão. Ela fez um apelo em defesa da união entre as lideranças públicas e privadas em prol do desenvolvimento da cidade. 

Durante seu pronunciamento, mencionou a celebração de 50 anos do Centro Industrial Jovelino Rabelo, inaugurado em 1972. Segundo Alexandra, mais de 120 indústrias estão instaladas nos mais de 2 milhões m² do local, gerando “emprego, renda e oportunidade”.

— O nosso parque industrial ainda é pequeno e, mesmo assim, temos terrenos vagos, abandonados ou em litígio judicial — ressaltou. 

Alexandra também criticou a defasagem estrutural da região.

— Empresários do centro industrial, vocês são guerreiros. Enfrentam a alta e complexa carga tributária, sem espaço para expandir, sem vias que comportem o escoamento satisfatório da produção — afirmou.

Com isso, relatou a presidente da associação, diversas empresas procuram se instalar em outros municípios, com ofertas mais atrativas e facilidades logísticas. Galvão pediu o apoio do poder público para reverter a situação e tornar Divinópolis novamente atrativa para as empresas. Recentemente, a cidade, inclusive, perdeu a corrida para receber a cervejaria Heineken.

— Temos poucas áreas destinadas ao uso industrial. Precisamos do apoio do poder público para a melhoria da infraestrutura local. Precisamos urgentemente de uma legislação para incentivar nossa indústria e aderir novas — cobrou. 

A representante do setor destacou, ainda, a importância das indústrias para a economia municipal.

— As indústrias podem não representar o maior número de empresas em nosso município, mas com certeza é o setor que mais contribuiu com a receita municipal através do Valor Adicionado Fiscal (VAF) e dos repasses da cota parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) — destacou. 

Dentre as reivindicações defendidas, está a definição, dentro do orçamento municipal, a destinação específica de “recurso para a melhoria e a conservação da estrutura do centro industrial”. Novamente, Alexandra fez menção aos entraves de escoamento da produção. 

— Precisamos de vias que comportem essa logística e garantam a mobilidade e a segurança das pessoas — pediu.

Por fim, a Acid clamou por "áreas para expansão do parque industrial e atração de novos investidores” e pediu por legislações que contem com sugestões das entidades empresariais da cidade. 

— Precisamos ser ousados — encerrou. 

 

Discurso

Em seguida, foi a vez de os vereadores discursarem. Primeiro com a palavra, Israel da Farmácia (PDT) relembrou à população a disponibilidade de doses de reforço contra a covid-19 para os adolescentes entre 12 e 18 anos. 

Ele também elogiou o desfile cívico em celebração aos 110 anos de emancipação política da cidade.

Um desfile que vai entrar para a história de Divinópolis — disse.

 

Saúde

Segundo a se pronunciar, Josafá Anderson (Cidadania) relatou a sobrecarga de demanda por atendimento nas unidades de saúde e a consequente sobrecarga na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Segundo ele, 44 pacientes esperam na UPA por uma cirurgia. 

— Está um caos. Essa é a deficiência na saúde básica: pouca gente e muito atendimento — citou. 

Josafá pediu apoio do secretário de Saúde (Semusa), Alan Rodrigo, para a reorganização do setor. Para ele, é fundamental melhorar a estrutura da atenção primária, bem como construir novos postos de saúde.

 

Serviço ‘porco’

Vice-presidente da Mesa Diretora, Roger Viegas (Republicanos) elogiou o retorno do desfile como parte da celebração do aniversário da cidade. Ele classificou o desfile como um “patrimônio” de Divinópolis. 

Se a primeira parte de seu pronunciamento foi de elogios, a segunda foi de críticas. Roger classificou como “porco” o serviço paliativo feito pelo Executivo na rua São João del-Rei, que serve como atalho para bairros como Belvedere, Bela Vista e de acesso ao rodeio.  

— Mal feito. Um serviço porco, inadequado. Jogaram resto de asfalto em cima da terra e dos buracos, das obras que ainda não foram concluídas — criticou.

Para ele, o trabalho de qualidade precária é “falta de respeito com os taxistas, motoristas de aplicativo e motoboys”.

 

Duras críticas

Diego Espino parabenizou a atual gestão pela celebração em 1º de junho. Segundo ele, “está dando para perceber a mudança” e o esforço da administração em “resgatar o sentimento de amor por Divinópolis”. 

O edil aproveitou a oportunidade para criticar o Sindicato Rural e a gestão da Divinaexpo pela falta de acessibilidade a cadeirantes, pessoas surdas e mudas. 

— A festa é linda, mas e o povo? Vocês esqueceram do povo? — questionou.

Outra reclamação do vereador envolve o preço das bebidas. 

— Deixa o povo beber, o povo vem de uma pandemia — defendeu. 

O discurso de Espino foi encerrado com ameaças à realização do evento nos próximos anos.

— No ano que vem, vocês vão ter que dar dia de graça para o povo. Não tem que ter dinheiro da Câmara, não. Se não derem, não vai ter alvará para vocês, não — finalizou. 

A emenda impositiva ao sindicato foi indicada pelo presidente da Casa, Eduardo Print Jr. (PSDB). Após a fala do vereador, Print declarou caber a cada parlamentar destinar sua emenda conforme entender melhor.

— Eu quis indicar para o Sindicato Rural e indiquei  — respondeu. 

 

Lixo

Pré-candidata a deputada estadual, Lohanna França (PV) usou seu tempo de fala para defender uma "cobrança justa pela taxa de lixo", hoje restrita basicamente à divisão entre comercial e residencial. Para ela, o formato não é correto, dada a diferença entre a produção de lixo entre os distintos ramos empresariais.

— Não é justo um estacionamento de 2 mil metros quadrados pagar o mesmo tanto que uma lanchonete de mesmo tamanho  — exemplificou. 

A vereadora esclareceu, ainda, não querer prejudicar os bares e restaurantes, apenas garantir que, assim como água e energia, cada um pague um valor proporcional.

 — Precisamos pagar pela quantidade de lixo que a gente produz  — afirmou. 

Outro tema a ser abordado foi a saúde. A vereadora, assim como Josafá, defendeu mais agilidade no fluxo de atendimento aos pacientes, além da melhoria da comunicação entre a atenção primária e secundária. 

Lohanna citou receber relatos de casos de falhas na comunicação entre postos de saúde e a Policlínica, bem com a dificuldade de solicitação do Transporte Fora de Domicílio (TFD). Conforme destacou, chegou ao seu conhecimento situações em que a unidade afirma ter enviado o pedido de transporte a um setor, que alega não ter recebido. 

 — O povo não pode ficar sendo jogado de lá para cá enquanto fica esse telefone sem fio  — declarou.

 

Precisa mudar 

Presidente da Comissão de Proteção e Bem-Estar Animal, Flávio Marra (Patriota) voltou a citar as dificuldades dos moradores em agendar a castração de animais no Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa). 

 — Se o aplicativo não está funcionando, se todo mês é essa luta, vamos estudar uma outra forma para atender à população  — pediu à Prefeitura. 

Marra também criticou o novo aumento previsto para a cobrança do pedágio.

 — O governador, que em 2018 falou que ia estar sempre ao lado do povo, deixa fazer uma patifaria dessa — pontuou.

Segundo o edil, "tudo que você quiser de qualidade você tem que terceirizar". 

— Se você quiser andar numa estrada boa, tem que tercerizar, além de pagar o IPVA. Olha que absurdo. A gente não aguenta mais. (...) Não aguentamos pagar as coisas duas vezes — frisou.

Ao fim, reforçou a importância do tema, visto que, assim como o preço do combustível, o valor do custo do transporte, como o pedágio, é repassado aos consumidores na alta dos produtos.

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