Reunião coloca membros da Semusa e São João de Deus frente a frente

Encontro foi solicitado pelos vereadores para esclarecer divergências em cobrança de procedimentos; MP também foi convidado

 

 

Bruno Bueno

A polêmica envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e o Complexo de Saúde São João Deus (CSSJD) ganha, amanhã, mais um capítulo. Representantes de ambas instituições se reúnem com vereadores na Câmara, às 9h30, para a primeira acareação do caso envolvendo a cobrança de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) por parte do hospital. Três promotores  devem representar o Ministério Público (MP).

As possíveis irregularidades foram apontadas pelo secretário de Saúde, Alan Rodrigo, e pelo diretor de Regulação, Érico Souki. Segundo eles, várias divergências no lançamento das cobranças foram constatadas pela inteligência da equipe. Procedimentos lançados pelo hospital com valor de R$ 5.748, por exemplo, passariam, após a triagem, para R$ 599.

 

Relembre

No último dia 17, o secretário de  Saúde e o diretor de Regulação apresentaram, em prestação de contas, possíveis divergências em lançamentos feitos pelo hospital que, segundo os servidores, estariam com um valor bem acima do normal. 

Depois da imensa repercussão, a diretoria do hospital convidou os vereadores que participaram da prestação de contas para esclarecer os fatos. O encontro entre as partes ocorreu na noite de 21 de setembro, no Plenarinho. Apesar de o CSSJD ter negado as denúncias, a Semusa reafirmou ao Agora sua versão apresentada durante a prestação.

A polêmica dividiu os vereadores durante as reuniões ordinárias. Flávio Marra (Patriota) e Hilton de Aguiar (MDB) criticaram a postura da Semusa, questionaram sobre a existência de provas e se posicionaram contra a permanência de Alan Rodrigo à frente da pasta. Roger Viegas (Republicanos), Zé Braz (PV), Rodyson do Zé Milton (PV), Eduardo Azevedo (PSC) e Israel da Farmácia (PDT) seguiram o lado inverso da história e criticaram a reunião solicitada pelo São João de Deus, bem como a diretoria do hospital.

Toda a repercussão do caso fez com que a diretora do CSSJD, Elis Regina, entregasse uma carta de demissão na semana passada. Após inúmeras mensagens e demonstrações de apoio, a superintendente disse que iria repensar a decisão.

— Face às manifestações de apoio à senhora Elis Regina Guimarães, (...) após reunião com o diretor Clínico e Técnico da Fundação Geraldo Corrêa, representada pelos médicos Túlio Valente e Eliseu Albertin e representantes do Corpo Clínico e médicos do CSSJD, informamos que antes de tornar a termo o seu desligamento da instituição, Elis Regina se ausentará do Complexo por dez dias, em férias. Por fim, esperamos que retorne bem de suas férias e que tenha boas notícias para todos, permanecendo à frente de nossa instituição.  O Complexo de Saúde São João de Deus agradece a solidariedade de todos e esperamos em breve trazer notícias positivas a respeito deste assunto — comunicou o São João de Deus por meio de sua assessoria.

 

Bate-boca

O último desdobramento do caso aconteceu na semana passada. Conforme informações de fontes que preferem não se identificar, membros da Semusa e São João de Deus protagonizaram um bate-boca durante reunião do Conselho Municipal de Saúde (CMS).

O motivo da discussão, além da polêmica envolvendo os procedimentos, teria sido o novo contrato firmado pelo hospital São João de Deus e a Prefeitura Municipal.

 

Encontro

O encontro acontece amanhã, às 9h30, na Câmara Municipal. São esperados o secretário Alan Rodrigo, o diretor de regulação Ériko Souki e outros membros da Semusa. Do CSSJD, devem comparecer o auditor do SUS, Túlio Valente, os médicos responsáveis pelo lançamento dos procedimentos, a diretoria composta por especialistas no caso, a Comissão de Administração e o diretor Financeiro do hospital. O ex-secretário de saúde, Amarildo Sousa, e três promotores também são esperados. O Legislativo será representado pela Comissão de Fiscalização, com a qual seria, a princípio, a reunião. Depois, todos os vereadores pediram para participar, por isso, o encontro foi transferido de segunda para quarta.

Conforme informações da Câmara Municipal, a reunião foi solicitada pela Comissão de Fiscalização da Casa, composta pelos vereadores Rodyson do Zé Milton (PV), Hilton de Aguiar (MDB) e Roger Viegas (Republicanos).

— Para que outras dúvidas sejam sanadas sobre o caso, a Comissão de Fiscalização solicitou uma reunião com MP e demais Comissões para discutirem sobre o caso — informou a Câmara em nota.

A reunião será transmitida nos canais oficiais da Câmara.

 

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