Resistir

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O dia 3 de agosto é considerado um marco para os brasileiros. Foi nesse dia que foi votada, na então Assembleia Constituinte de 1987/88, o conteúdo da nova Constituição Federal referente ao tema da censura, que havia vigorado como política de controle durante a ditadura (1964-1985). Muita gente não sabe, e outras pessoas minimizam, mas a ditadura aplicava a censura às diversas esferas da sociedade, desde a prática do jornalismo até festivais de música, teatro etc. Para tanto, servia-se de órgãos de Estado. Em 1987, teve início, com o Congresso Constituinte, a Assembleia Nacional Constituinte, que ficou responsável pela elaboração da nova Carta Constitucional do Brasil, que só passaria a valer efetivamente em outubro de 1988. Foi no texto dessa Carta que ficaram garantidos os principais direitos e os deveres dos cidadãos e das instituições brasileiras. Entre esses, está o da liberdade de expressão ‒ infelizmente hoje confundida muitas vezes com discurso de ódio. Há quase 34 anos, a imprensa é livre ‒ e não se consegue contar ou mensurar, por alto, os casos de corrupção investigados e revelados por veículos de comunicação país afora, que renderam prisões, processos etc. Apesar de muita, mas muita gente não gostar e atacá-la sistematicamente, ela é, sim, um dos pilares da democracia e o quarto Poder não instituído. 

Conforme o último Relatório da Violência Contra Jornalistas, levantado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a censura a jornalistas foi considerada a principal forma de violência contra a liberdade de imprensa em 2021, em um fenômeno inédito desde 1998. Ao todo, foram identificados 140 casos ao longo do ano, representando 32,56% dos ataques no período em questão. Isso assusta, e muito, pois, se em um ano “normal”, esse “fenômeno” foi registrado, já se pode imaginar o que vem pela frente, considerando que 2022 é um ano eleitoral e que um dos alvos preferidos de alguns políticos é justamente quem trabalha em prol da verdade. A grande questão é: até quando a verdade é ataque? Até onde ela dói? A quem interessa calar a imprensa? A quem interessa censurar aqueles que levam a verdade, que levam um pouco de lucidez àqueles que muitas vezes são usados apenas como massa de manobra?

João 8:32 traz que “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. Apesar de ser bíblica, essa passagem entristece, pois hoje, 29 de março de 2022, quando boa parte do povo brasileiro começa a flertar com a censura, a única certeza que se tem é que a população não quer ou talvez não consiga lidar com a verdade. Mas resistir é o nosso papel. Manter-se de pé, lutando contra todos esses males é a função daqueles que acreditam, e doa a quem doer, a verdade precisa ser dita. Seguir, esse é o nosso propósito, a nossa missão de vida. Lutar pela democracia e pela liberdade. E, o mais importante, lutar para que todos sejam livres e a verdade prevaleça.

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