Reflexão para a mudança

Raimundo Bechelaine 

 Reflexão para a mudança

Nascida e residente no vizinho Distrito de São José do Salgado, a professora Aparecida Maria Jerônimo Miranda acaba de  publicar a dissertação do seu mestrado pela Uemg: "A reflexão como instrumento de mudança da prática pedagógica". O livro vem a público pela Dialética Editora, de São Paulo. O curso de mestrado em educação, cultura e  sociais era oferecido pela Funedi/Uemg; e produziu algumas boas dissertações. 

Na dedicatória, a autora lembra o saudoso Hézio Agostinho de Miranda, seu esposo, muito cedo tirado do nosso convívio, e as filhas Clara e Sofia. Entre os agradecimentos, destacamos a orientadora, professora/doutora Ana Mônica Henrique Lopes, e o professor/doutor José Geraldo Pedrosa. Na excelente bibliografia, aparecem nomes expressivos dos meios acadêmicos, como Tânia Zagury, Demerval Saviani, Philipe Perrenoud, Edgard Morin, Paulo Freire, Michel Foucault, Jacques Delors e outros mais. Entre estes, aparece outra salgadense, a doutora Dalila Andrade, professora e pesquisadora da UFMG, figura de projeção internacional no estudo das questões sociais, políticas e educacionais.

A obra da professora/mestra Aparecida Jerônimo é atual e deve ser lida com atenção. O professorado brasileiro e nossas escolas continuam enfrentando problemas e carências que afetam a prática pedagógica e, em consequência, os alunos, as famílias, a economia e a sociedade. Vejamos algumas linhas: "A sociedade está assentada em bases fluidas, ocasionadas pela rapidez com que se mudam conceitos, valores, principalmente a desagregação familiar. Embora muitas famílias continuem estruturadas e garantam uma base sólida aos jovens, o que se percebe é que a maioria deles não tem o privilégio de contar com a educação "de berço", que auxilie no desenvolvimento moral e humano. Esperam-se políticas públicas eficientes que possam promover o mínimo de dignidade, especialmente nos setores marginalizados da população" (p. 51). Em outro trecho, ela observa: "... os professores ainda lutam para se afirmarem como profissionais. Essa luta não difere muito entre os países ocidentais; no entanto, entre os países do primeiro mundo o debate encontra-se em estágio mais avançado. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, a discussão se encontra no início, dada a história recente do país, com um longo período de ditadura militar, que provocou retrocessos no discurso” (p. 70).

Aparecida Jerônimo é graduada em ciências sociais. Sua atuação pedagógica passa pelo ensino médio, em disciplinas como história e sociologia e também pela direção escolar. É uma profissional comprometida e atuante na comunidade. Por feliz coincidência, seu livro vem a lume quando a Campanha da Fraternidade convoca, mais uma vez, a sociedade brasileira à reflexão a respeito da educação. [email protected]

 







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