Querer não é poder

Querer não é poder 

O título deste editor refere-se a um popular ditado brasileiro. O significado é simples: o desejo nem sempre está ao alcance da realização. Em Divinópolis, a novela da vez é a denúncia de compras possivelmente superfaturadas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), no fim de 2021. As suspeitas resultaram na instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). 

O assunto, claro, gerou discussões pela cidade. Alguns palpites sobre o tema foram sensatos e assertivos, já outros, nem tanto. Se a instauração da CPI não desse “pano para manga” suficiente, a rejeição do Ministério Público (MP) sobre a denúncia feita pelo ex-vereador Renato Ferreira (PSDB) acerca do assunto, junto com uma nota divulgada pela Prefeitura, foi a cereja do bolo. 

O que mais se viu depois da suposta rejeição foram discursos errôneos sobre o tema. De nada adianta saber ler e escrever, mas não interpretar. Os aliados do prefeito, Gleidson Azevedo (PSC), e da vice-prefeita, Janete Aparecida (PSC), não perderam tempo e foram às redes sociais comemorar a rejeição. Segundo eles, o ato estaria ligado ao fato de que nenhuma irregularidade havia sido encontrada nas compras dos materiais feitas pela Semed. Porém a história não é bem assim. 

Quem leu e entendeu o posicionamento do MP viu que o órgão conduzirá uma investigação sobre o caso, porém, aguarda o fim da CPI da Educação. Apesar de poder fazer sua apuração paralelamente à do Poder Legislativo, o MP optou por esperar o relatório final da comissão. Assim, a postura do órgão estadual não significa que não foram encontradas irregularidades e que, apesar de querer que nenhum fato fosse comprovado, isso não é poder. 

Dentre os milhares de comentários que circularam na última semana nos grupos da cidade, até o de que a CPI havia sido acabada rolou. A grande pergunta é: se não há nada de errado, por que a pressa de se encerrar tudo e comemorar como se toda essa situação não passasse de invenção? Por que não enfrentar? Por que não dar a cara a tapa? A verdade é que o povo não está preparado para lidar com política. Afinal de contas, se o meu candidato faz algo que supostamente é errado, eu vou até o fim para defendê-lo com unhas e dentes. Agora, se é o candidato da oposição, a história é outra, completamente diferente. 

É justamente nesse ponto, de opiniões erradas, vazias de fatos, que chega-se à conclusão: o brasileiro ainda carece de maturidade para lidar com a política. O povo, de fato, não está preparado para lidar com um tema tão sério e importante. 

É muito querer para pouco poder. É muito querer um país melhor para pouco fazer a diferença com pequenas ações, a começar pela busca de estudos, pela busca de conhecimento, de interpretação de texto, antes de sair falando nada com nada e tirando conclusões que não existem.

 

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