Quase 1.800 pacientes aguardam cirurgias eletivas em Divinópolis

Governo do Estado enviou recurso para reduzir tempo e fila de espera; Município recebe maior fatia da região

 

Matheus Augusto

“Página virada”, definiu o secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti, sobre o pico da pandemia da variante ômicron em Minas Gerais. Agora, a Secretaria volta a focar seus esforços para outras doenças, como a preocupação de uma endemia de dengue, e busca reduzir a fila de cirurgias eletivas, acumuladas durante a pandemia. 

Em Divinópolis, 1.766 pacientes aguardam pelo procedimento. As principais demandas, segundo a Prefeitura, são cirurgias gerais, ortopédicas e ginecológicas. Sobre a atual situação, a Administração informou que as intervenções têm voltado de forma gradual conforme a disponibilidade de leitos hospitalares e a agenda de pré-cirurgia do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) e demais prestadores.

 

Reforço

A Superintendência Regional de Saúde da Macrorregião Oeste, com sede em Divinópolis, anunciou que quase R$ 8 milhões serão investidos em 24 hospitais na região por meio do programa estadual "Valora Minas - Opera Mais" para reduzir o tempo de espera dos pacientes que aguardam procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

— Ao todo são 880 procedimentos cirúrgicos eletivos hospitalares, entre eles ortopedia, neurocirurgia, urologia, oftalmologia, otorrino, cirurgia geral e outros elencados pelo programa, visando, assim, melhorar o acesso da população a serviços tanto de média quanto de alta complexidade — detalhou, em nota.

Para o superintendente regional de Saúde, Júlio Guimarães Barata, o valor será fundamental para organizar a rede assistencial e acelerar a realização das cirurgias.

— Nós vamos ampliar o acesso às cirurgias eletivas à população durante este ano com objetivo de zerar a fila dos municípios, aumentando a capacidade dos hospitais públicos municipais e prestadores filantrópicos credenciados pelo SUS — destacou.

Divinópolis receberá o montante de R$ 1.882.299,26, maior valor da região.

 

Contexto

Em nota, a Prefeitura explicou que desde 2020 as cirurgias eletivas sofrem com atrasos devido à pandemia,  o “que resultou em vários períodos de suspensão da execução dos procedimentos em todo o Estado”.

Os casos classificados de maior urgência, como transplantes, cirurgias cardiovasculares, oncológicas, neurológicas e outras, “não tiveram suas autorizações prejudicadas”, ressaltou o Executivo. Tais situações dependem da avaliação médica de que o atraso na realização do procedimento poderia levar à complicação ou aumento do risco de morte.

— Já no segundo semestre do ano de 2021, baseada nas mudanças positivas do contexto epidemiológico da covid-19, iniciou-se a retomada gradual das cirurgias, inclusive daqueles procedimentos eletivos não essenciais no Sistema Único de Saúde (SUS) — informou.

Com isso, operações de catarata, hérnia, retirada de vesícula e as demais voltaram a ser agendadas. 

A Prefeitura cita que um dos problemas é a limitação de leitos disponíveis. 

— (...) uma realidade de ocupação hospitalar em alto nível liderada por casos provenientes da urgência que estavam em Unidade de Pronto Atendimento no aguardo de vaga hospitalar, em sua maioria em estado crítico, realidade esta que persiste até o presente momento e que também se torna um fato limitador na disponibilização adequada de leitos hospitalares para internação dos procedimentos eletivos não essenciais e que tem sido objeto de discussão em toda macrorregião através de oficinas estaduais temáticas de saúde e reuniões oficiais que inclusive contou com a presença do Ministério Público — detalhou.

 

Outros municípios

Para superar as dificuldades e reduzir o tempo de espera, a Prefeitura citou que tem promovido a organização por meio da classificação de cada paciente para definição objetiva das prioridades. 

— Citamos aquelas medidas tomadas como o mutirão de atualização de risco cirúrgico e o redirecionamento de referência de atendimento dos casos cirúrgicos de maiores gargalos para municípios que são possuidores de estabelecimentos hospitalares com melhor disposição de leitos hospitalares para execução desses procedimentos cirúrgicos, tais como Lagoa da Prata, Cláudio, Itapecerica e Luz — acrescentou.

Em 17 de fevereiro, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Zé Braz (PV), já destacava o trabalho do governo estadual para credenciar mais entidades para cirurgias eletivas, desafogando a sobrecarga atual na rede de saúde. Braz expressou, ainda, preocupação com a dificuldade encontrada para convencer os pacientes a aceitarem a transferência para outra cidade, com disponibilidade de leito para a cirurgia. Naquele período (fevereiro), citou, 35 pessoas recusaram o encaminhamento.

— Sabemos da limitação, que é difícil se deslocar para outro município, mas se faz necessário esse esforço para dar andamento. Enquanto você está ali, outra pessoa está em casa aguardando uma cirurgia — orientou.

 

Minas Gerais

Em coletiva na última sexta-feira, 25, o secretário estadual de Saúde já havia alertado que, a partir de março, conforme determinação do Ministério da Saúde, não existem mais novos leitos exclusivos para covid-19 no país. Com isso, a estrutura atual será convertida em leitos gerais.

— Temos agora uma nova fase: a partir de 1° de março não haverá mais leitos exclusivos de covid-19 no Brasil — citou. 

Com isso, conforme o secretário, os 590 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) exclusivas para covid-19 passam a receber pacientes de todas as enfermidades. O objetivo agora, com investimento de mais de R$ 200 milhões e 26% a mais de leitos de UTI, é agilizar a fila de cirurgias eletivas.  

— A gente vira a página de um atendimento exclusivo para covid para um de todas as doenças, onde a covid também faz parte — afirmou.

Mesmo com a página virada, os cuidados preventivos não devem ser descartados.

— Estamos bem, com o número de casos caindo e a proporção de óbitos bem menor, mas precisamos manter os cuidados da vacinação. Novas cepas e novos momentos de aumento virão — justificou.

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