Quanto vale ou é por quilo?

CREPÚSCULO DA LEI – Ano IV – LXXII

DOMINGOS SÁVIO CALIXTO 

QUANTO VALE OU É POR QUILO?

Com a saída do ministro Milton “Quilo de Ouro” da chefia do ministério da ignorância – envolvido em favorecimento (de pastores) na distribuição de verbas “ungidas” aos amigos pentecostais, o governo-sem-corrupção-mais-corrupto-da-história-do-Brasil conseguiu a façanha de substituir 28 “ministros”. Um recorde.

Considerando-se apenas a contribuição do ministério da ignorância já foram 4 substituídos. Outra façanha.

Aliás, levando-se em igual consideração o nome dos outros “chefes” demitidos Vélez, Weintraub, Vogel (interino) e Decotelli – nota-se uma capacidade considerável do governo-sem-corrupção-mais-corrupto-da história-do-país em contribuir eficazmente com o ministério da ignorância. 

Assim, nessa esteira contributiva para o ministério da ignorância, pode-se esperar outra porcaria por aí, seguramente preparada para continuar com a façanha exitosa de difundir a ignorância no país

Então é uma façanha exitosa, principalmente considerando-se que o ministro guedes (minúsculas presentes) da pobreza é  “the one” intocável, mesmo com suas contas dolarizadas por milhões em “offshores by Pandora and Panamá Papers”,  para a tristeza das empregadas domésticas que iam “com frequência à Disney”. É o falso pateta protegido da mídia.

Sob esse aspecto, a ignorância é seguramente um ícone do bozogoverno, exatamente pelo fato da pessoa que ainda ocupa a presidência ser um claro representante da mais alta plêiade possível da ignorância, com graduação em derrotas pela vida. É um derrotado ignorante e, como tal, difunde sua estirpe aos vastos horizontes de sua grei. 

Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), desde 2016 as medidas contra as classes mais baixas nas Universidades Federais fizeram por conter o ingresso dessas classes na academia, além de impedir os que lá estavam de concluírem o respectivo curso escolhido.

É a devolução gradual das universidades federais à burguesia, graças ao ministério da ignorância e para a comemoração do ministério da exclusão e opressão humana, aquele que se nega a acatar a lei e não entregar absorventes para mulheres carentes.

Contribuindo com o quadro das exclusões, eis aí uma inflação de dois dígitos verificada nos combustíveis, gás de cozinha, alimentação, aluguel, energia elétrica e, claro, salários defasados e desemprego.

Evidentemente que esse ministério da ignorância nutre ódio (e abandono) pelo Reuni – Programa de Reestruturação das Universidades Federais – criado em 2003 sendo responsável por 14 novas universidades e mais de 100 novos campi, ou seja, uma revolução democrática no ensino superior do país. Morreu de inanição.

Com essa técnica do abandono torna-se evidente que as pessoas mais pobres possuem muito mais possibilidades de abandonar o ensino, principalmente o ensino médio: 11,8% dos jovens entre 15 e 17 anos estavam fora da escola em 2018 – ainda havia IBGE naquela época – em torno de 1,2 milhão de jovens sem atividade educacional.

É dessa forma que a bozopolítica é contra o aborto: é deixar nascer, abandonar e depois “atirar” ou “prender”. Haja “bala perdida”, haja cadeia.

 

Observação 1: Existe um procedimento dificultador da interrupção gravidez em virtude de estupro, conforme Portaria 2.282/20 do ministério da cloroquina. Uma humilhação completa. Todavia, em louvor à vida, não existe nenhuma portaria dificultando as operações violentas da polícia em favelas. Ali o tal louvor desaparece.

Observação 2: “Vale quanto pesa ou é por quilo?” era a forma de negociar escravos nas portas dos armazéns do Brasil escravagista (quase quatrocentos anos!). É nome de filme também (Sérgio Bianchi). Recomenda-se.

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