Qual o preço?

Qual o preço?

Há exatos 582 dias, a Prefeitura de Divinópolis anunciava o fechamento do comércio, o cancelamento de festas e o início de uma supertarefa para conter o avanço do coronavírus na cidade. No dia 8 de março de 2020, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) confirmou o primeiro caso da doença no estado. Adriana Carrara, moradora de Divinópolis, tinha testado positivo para a covid-19, após uma passagem pela Itália. O registro em Divinópolis veio dez dias após o primeiro no Brasil. E, de março do ano passado até 11 de outubro de 2021, milhares de vidas foram levadas, não só pela doença, mas também pelas notícias falsas. As estatísticas, as comprovações científicas, o número de mortes, de pessoas internadas, nem mesmo as piores previsões possíveis eram capazes de parar a fábrica de notícias falsas e as pessoas que preferiram acreditar nelas do que em fatos. 

Hoje, quase 600 dias depois do início daquele pesadelo, com a “maré mais baixa”, a vacinação a todo vapor, com o número de casos confirmados e óbitos em queda, o que se vê é o que sobrou de tudo aquilo. A vida aos poucos volta à normalidade. Os shows, os eventos, os bares, o isolamento social parece algo distante que ficou no passado. Apesar da resistência, do negacionismo, das notícias falsas, a volta ao quase normal – pois como era antes, jamais será – só foi possível graças a ela: a ciência. A vacinação, sem sombra de dúvidas, foi primordial para que a humanidade pudesse ter um pouco de alívio. Foi graças a ela que o medo deu lugar à esperança. No entanto, o que mais chama a atenção neste cenário todo é que mesmo após o desastre que os brasileiros viveram no ano passado, até o meio deste ano, algumas pessoas insistem em ignorar fatos e persistem nas mentiras e na ilusão. 

Um ano e sete meses depois, ainda não  se conseguiu contabilizar quantas vidas foram perdidas graças ao negacionismo, às notícias falsas. Ainda não é possível mensurar quantas famílias foram devastadas por causa do kit covid, do "tratamento precoce", de notícias mentirosas. Ainda não se pode medir o impacto que tudo isso teve na sociedade. E, mesmo com a prova de que a ciência salva, que vacina salva, que o SUS salva, que notícias de qualidade e credibilidade salvam, ainda existem pessoas que preferem levar a desinformação aos lares brasileiros, sem qualquer tipo de responsabilidade, de empatia, de pudor e de amor ao próximo. E neste termo “pessoas que preferem levar” estão incluídos aqueles que se dizem representantes do povo e que têm entre suas responsabilidades o dever de garantir o acesso à saúde, como determina a Constituição Federal. 

Triste, desolador é chegar hoje, ao 582º dia de pandemia e ver que a luta contra a desinformação continua. E que, para muitos, o negacionismo, uma notícia falsa vale mais que uma vida, que tudo isso vale mais que uma família. Nesta luta diária contra a desinformação, a pergunta que fica é: qual o preço de uma vida? Quanto vale uma família nesta fábrica de notícias falsas? Pelo visto, não é muito, afinal, elas continuam a todo vapor, destruindo lares, e o pior, financiadas por aqueles que foram eleitos para levar alento  à população, especialmente, aquela carente e desassistida. 

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