Protestos nas rodovias duram três dias e deixam reflexos em Divinópolis e região

Impactos foram registrados em viagens, insumos, preços de combustíveis e entrega de exames

 

 

Da Redação

Após três dias de protestos contra o resultado das eleições, os bloqueios ilegais nas rodovias federais e estaduais da região foram totalmente desmobilizados, segundo os órgãos competentes: Polícia Militar Rodoviária (PMRv), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Concessionária Nascentes das Gerais. No estado, os bloqueios ocorreram em cerca de 20 cidades.

Os protestos antidemocráticos começaram por todo país no domingo, 30, após a derrota de Jair Bolsonaro (PL). Mesmo após a desmobilização, os impactos são evidentes.

Filas nos postos

Por conta do medo de desabastecimento, Divinópolis registrou, principalmente na segunda-feira, 31, enormes filas para abastecimento nos postos de combustíveis. Além disso, tanto a gasolina quanto o etanol, subiram mais de R$ 0,10 nestes dias.  

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) disse que realizou monitorando em tempo real nos pontos de bloqueios nas estradas de Minas Gerais e que postos de algumas regiões chegaram a apresentar falta do produto. 

O Minaspetro ressaltou ainda que as bases também tiveram problemas de suprimentos, uma vez que os caminhões não conseguiam chegar para descarregamento.

 

Suspensão na entrega de exames

O Laboratório Central em Divinópolis chegou a emitir nota informando sobre o atraso na entrega dos resultados de exames aos pacientes, em decorrência dos bloqueios. Isso porque alguns exames mais complexos precisam ser analisados em Belo Horizonte para apenas então, voltarem à cidade. A situação só foi normalizada ontem. 

  Alimentos mais caros

Os protestos provocaram impactos também nos preços e na inflação. Os supermercados registram problemas para manter o suprir a demanda, principalmente de produtos perecíveis, como frutas, legumes, verduras, carnes, frios e laticínios.

Viagens suspensas

Os serviços da rodoviária no município, na região e principalmente na capital foram atingidos desde o primeiro dia dos protestos. Na terça-feira, 1º, 15 linhas deixaram de circular e com isso os ônibus ficaram parados no Terminal Rodoviário de Divinópolis. 

Na capital, a redução foi de 33%. O número também refletiu na movimentação de passageiros. A expectativa era de 16,5 mil pessoas circulando no terminal, mas o registro foi de 10 mil (39%), segundo a concessionária.

Bruno Damasceno, que é de Belo Horizonte, visitaria a namorada em Divinópolis no feriado de Finados, mas por conta dos bloqueios não conseguiu.

—Foi um transtorno não só para nós dois que íamos nos encontrar, mas para centenas de pessoas que não puderam viajar. Francamente, foi uma manifestação totalmente prejudicial em diversos sentidos — lamentou. 

Protestos no feriado

Durante o feriado do Dia de Finados, na quarta-feira, 2, foram realizados atos em frente às bases do Exército em pelo menos 24 estados do país. Em Divinópolis o ato reuniu dezenas de bolsonaristas em frente ao Tiro de Guerra, no bairro Interlagos.

O movimento começou por volta das 9h30, fechou algumas ruas no bairro e causou transtornos a moradores e pessoas que transitavam na região. Com faixas, cartazes e bandeiras e vestidos com camisas do Brasil, os manifestantes gritaram por intervenção militar, o que é inconstitucional, e "intervenção federal com Bolsonaro no poder". A polícia acompanhou a manifestação que ocorreu debaixo de chuva.

Na terça-feira,1º), o presidente Jair Bolsonaro (PL) discursou pela primeira vez após a derrota nas urnas e comentou que "manifestações pacíficas são bem-vindas", mas que não podem cercear o direito de ir e vir.

1º discurso após derrota

Bolsonaro passou quase dois dias inteiros sem se pronunciar, ao vivo ou nas redes sociais, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter confirmado o resultado das eleições. Enquanto isso, líderes globais não perderam tempo e logo parabenizaram Lula pela vitória, que ao todo, teve 50,9% dos votos válidos.

No discurso, que durou pouco mais de dois minutos, e sem responder perguntas de jornalistas, Bolsonaro disse que cumprirá a Constituição e agradeceu os votos que recebeu, mas não citou Lula e também não pediu desmobilização dos protestos nas rodovias.

 

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