Prefeitura e Câmara

Prefeitura e Câmara 

É o nome da operação que no ano passado apurou desvio de recursos na área da Saúde em Divinópolis. A Polícia Federal fez diversas buscas na Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e em salas da direção da UPA. Houve apreensão de documentos, CPUs, entre outros materiais. Situação que todos acompanharam e conhecem o resultado, mas tem tudo a ver com a atual. A Prefeitura, por meio do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), rescindiu o contrato com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), que também atendeu demanda da pandemia de covid-19. O Executivo disse que tomou a decisão após constatação de algumas irregularidades e descumprimentos contratuais, constatados na operação da PF – o que era de se esperar de uma gestão que prega transparência e condena práticas ilegais. Claro que a Administração deve ter suas alegações, mas foi até tarde demais, oito meses depois. A continuidade de uma empresa com tantas acusações que pesam sobre ela à frente de um setor tão importante quanto a Saúde é, no mínimo, duvidosa. Porém a culpa nesse caso precisa ser dividida. A Câmara, representada pela Comissão da Saúde, foi lenta ao não exigir a saída imediata do Instituto. Não precisava nem visitas, apontar os erros e pedir CPI, pois eles já existiam e foram comprovados.

 

Alerta zero 

E tem gente que, mesmo vendo os exemplos, não aprende a lição. O escândalo envolvendo os funcionários da direção da Organização Social foi notícia na mídia local, do estado e até nacional. Mas não serviu de alerta para a Secretaria de Saúde de Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte, que, como ocorreu em Divinópolis, continuou mantendo o contrato com o IBDS até o dia 29 do mês passado, na administração do Cecovid e do Hospital de Campanha. As informações foram publicadas pelo jornal do Closé daquela cidade em sua edição de ontem. A edição diz que, mesmo a Prefeitura de Betim tendo realizado todos os repasses financeiros para o Instituto, referentes à gestão e operacionalização para funcionamento do Centro Especializado em Covid-19, até a segunda-feira, 25, apenas os funcionários de nível técnico haviam recebido seus salários atrasados dos meses de agosto e setembro. Já os de nível superior, os médicos e enfermeiros devem receber, além de atrasado, picado. Como aqui, lá, o IBDS, não respondeu aos questionamentos do jornal. Mas, falar o quê, também?

 

Vai faltar voto

Nos corredores e bastidores das Câmaras de Vereadores – Divinópolis é exemplo –, das Assembleias Legislativas e no próprio Congresso Nacional, os assuntos em foco giram em torno de quê? Eleições 2022, é claro. E, se confirmada a quantidade de políticos nos cargos e outros que estão de fora que pretendem disputar uma vaga, se bobear, terá mais candidato do que eleitor. Só no Legislativo aqui fala-se em cinco – dos quais quatro são novatos.  Ainda há alguns que disputaram a Prefeitura ano passado, os que tentaram em outras oportunidades e os marinheiros de primeira viagem. Filme repetido que costuma prejudicar demais a cidade. Muitos postulantes, votos fracionados e o mínimo de representantes.  O atual cenário mostra bem isso. Apenas um deputado federal e um estadual representando um município deste tamanho e outras cidades, das quais tiveram votos. Sem falar nos paraquedistas que vêm aqui, engabelam muita gente e arrastam seus votinhos. Mesmo que pouco, fazem a diferença. Vale a pena o replay? Bom, em termos de benefícios para a população e para a cidade, óbvio que não, mas, para os eleitos, já é outra questão.

 

‘Dobradinha’ em 2021

E, quando o assunto é candidatura, ao que tudo indica, está pintando uma dobradinha mineira.  Cerimônia ontem em Brasília marcou a filiação do senador e presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, ao PSD. Ele, provável candidato à Presidência da República.  O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que deve promover uma disputa acirrada com Romeu Zema (Novo), fazendo uma “dobradinha“, classificou o agora colega de partido como uma "liderança importante, que pensa o país" e afirmou que "a terceira via é importante". Perguntados sobre as disputas, ele por Minas e Pacheco pelo Brasil, os dois desviaram do assunto, repetindo a frase de sempre: “estou à disposição do partido”. Mas, “para quem sabe ler, um pingo é letra”.

 

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