Prefeito revela exigências da Heineken para trazer fábrica

Encontrar um terreno ideal é prioridade; Itaúna, Formiga e Samonte também estão na disputa

Bruno Bueno

A possível vinda da fábrica da Heineken animou os divinopolitanos e a Prefeitura, é claro. Afinal, seria uma injeção poderosa na economia da cidade. A empresa, que cancelou o projeto de construção em Pedro Leopoldo na última terça, está à procura de uma nova cidade em Minas Gerais para aumentar a produção de cervejas. No mesmo dia do anúncio, a Prefeitura de Divinópolis manifestou interesse em sediar a nova fábrica.

Contudo, a chegada não é tão simples quanto parece. Com várias cidades na disputa, o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) revelou com exclusividade ao Agora as exigências ponderadas pela empresa para instalar a fábrica em Divinópolis.

Terreno

O chefe do Executivo revela que o principal desafio da Administração é encontrar um terreno que atenda às condições necessárias para a produção cervejeira.

— Estamos correndo atrás. No entanto,  requer todo um estudo técnico. É um monte de coisa, como por exemplo, eles já falaram que precisam olhar o terreno, o solo e os lençóis freáticos. Além disso, o terreno tem que ter muita água, não pode ser rochoso e precisa de calcário. São várias exigências por conta da fabricação da cerveja — afirmou.

Ele garantiu que está correndo atrás dos diretores da empresa para viabilizar um estudo técnico no município.

— Não é questão, por exemplo: “Ah, tem que ter aeroporto”, “Ah, precisa ter isso, aquilo”. Claro que isso é importante, mas o que vai mais influenciar é o terreno para fabricar a cerveja. Estamos correndo atrás da equipe deles para colocar Divinópolis neste estudo. Não é questão de doar, se eles encontrarem algum terreno em qualquer lugar de Minas Gerais que tenha esses critérios que eu falei, eles vão comprar da mesma forma que compraram o de Pedro Leopoldo — disse.

Justificativa

A Prefeitura, por meio da assessoria de comunicação, informou que enviou detalhamentos socioeconômicos, hídricos e ambientais para a empresa que, conforme a pasta, justificam a chegada da fábrica a Divinópolis.

— A formalização da manifestação de interesse em receber a planta produtiva da Cervejaria Heineken apresenta apontamento de áreas do Município de Divinópolis com porte demandado localizadas próximas do fluxo hídrico, detalhamentos geológicos de águas subterrâneas da região, informações sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Pará, bem como dados socioeconômicos do município — pontuou.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Luiz Angelo Gonçalves, ressaltou a importância socioeconômica de um empreendimento desse porte na região Centro-Oeste. 

— Não apenas Divinópolis, mas todas as cidades vizinhas devem trabalhar em sintonia para oportunizar a vinda da Heineken para nossa região. Este é um empreendimento que potencializa diversas cadeias produtivas, com alta geração de novos postos de emprego e receita fiscal muito relevante — destacou.

Concorrentes

Outras cidades da região também estão na disputa. Em nota divulgada à imprensa, a Prefeitura de Itaúna confirmou que a cidade formalizou o interesse em receber a Heineken.

— A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico fez contato direto com os gestores da empresa. Em questão foram abordados os fatores socioeconômicos que credenciam Itaúna para ser sede da fábrica, bem como os investimentos infraestruturais feitos nos últimos anos, os em execução e os investimentos que ainda serão feitos — ressaltou.

Impulsionado pelas outras cidades, Santo Antônio do Monte comunicou a mesma intenção.

— Este é um empreendimento que potencializa diversas cadeias produtivas, com alta geração de novos postos de emprego e receita fiscal muito relevante. Fica a expectativa para que esta renomada empresa possa se instalar em nosso município, visando o crescimento econômico e social — justificou.

Mais uma

— Formiga demonstrou interesse e no contato destacou os diferenciais da nossa cidade, dentre eles a posição geográfica privilegiada, possibilitando escoamento da produção e recebimento de insumos, o que gera grande diferencial logístico, bem como aspectos relacionados ao desenvolvimento municipal, visto que a cidade é a sétima mais bem colocada no estado com base no índice Firjan — divulgou.

Desistência

Um fator que deve ser levado em conta pelas prefeituras é a viabilidade ambiental do possível terreno, principal motivo que fez a empresa desistir da construção da fábrica em Pedro Leopoldo. O antigo local, que ficava a 800 metros da região da Lapa Vermelha, onde o fóssil humano mais antigo das Américas foi descoberto em 1975, se tornou alvo de diversas críticas de órgãos ambientais.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICM-Bio) chegou a entrar na Justiça para interromper as obras, no entanto, a empresa conseguiu autorização para retomar a construção. Em outubro, o Ministério Público (MP) pediu a suspensão da licença para construção, alegando que o  empreendimento possuía potencial poluidor e risco de causar impactos ao patrimônio arqueológico e ao sistema hidrológico da região. 

Em nota, a empresa anunciou o desligamento e informou, por meio de um diretor da corporação, que as obras não contaram com apoio da área socioambiental e, por esse motivo, o prosseguimento das instalações não era mais justificável.

— A decisão foi tomada após poucos meses de diálogo sobre os diferentes entendimentos de órgãos envolvidos e da sociedade em geral relacionados à proximidade do atual terreno com uma importante área de preservação ambiental e arqueológica da região. De acordo com o diretor de Assuntos Corporativos da cervejaria, Mauro Homem, a permanência da empresa em Pedro Leopoldo só faria sentido se, acima de tudo, contasse com o apoio de toda a sociedade, incluindo agentes que contribuem para o desenvolvimento socioambiental da região — esclareceu.

Repercussão

A notícia de que a fábrica da empresa cervejeira pode chegar a Divinópolis viralizou rapidamente e gerou enorme repercussão na cidade. O internauta Rogério Ragazi disse que está torcendo pela chegada da Heineken ao município.

— Uma indústria desse porte vai gerar um número significativo de empregos na cidade — justificou.

A internauta Rafaella Mendes, por sua vez, questionou se a cidade possui um local apropriado para receber a empresa.

— Vai colocar a Heineken onde? Naquele Centro Industrial onde o asfalto está caindo aos pedaços? Onde o acesso é difícil e o ônibus é de hora em hora? — perguntou.

 

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