Por que a verdade nos liberta?

Ômar Souki

Por que a verdade nos liberta?

“Conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês” (João 8, 32). Essa afirmação de Jesus levou os judeus a questionarem o que ele falava, pois diziam que eram livres, nunca terem sido escravos de ninguém. Então Jesus lhes respondeu: “Eu lhes garanto: quem comete o pecado é escravo do pecado” (João 8, 34). Os judeus estavam mentindo ao falarem que nunca tinham sido escravos de ninguém. Tinham, sim, sido escravos no Egito, na Babilônia e naquela época estavam sob o jugo de Roma. Além de estarem mentindo, estavam também procurando matar Jesus, outro pecado. Jesus lhes oferecia, através de suas palavras ‒ que são a expressão da verdade ‒ libertá-los da escravidão, não física, mas espiritual.

Em outra ocasião Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue às autoridades dos judeus. Mas agora o meu reino não é daqui” (João 18, 36). A verdade à qual Jesus se refere, portanto, não é a da matéria, mas a do espírito. Enquanto os judeus esperavam um messias que os libertasse da opressão romana, Jesus veio para lhes oferecer uma liberdade mais duradoura, isto é, a vida depois da morte. E essa liberdade só se conquista através da verdade. Então o que é a verdade?

É o próprio Jesus, Palavra do Pai: “Se Deus fosse pai de vocês, vocês me amariam, porque eu saí de Deus e venho dele. Não vim pela minha própria vontade, mas foi ele que me enviou. Por que vocês não compreendem o que eu falo? É porque vocês não são capazes de ouvir a minha palavra” (João 8, 42-43). Logo depois de ter afirmado que ‒ assim que o amamos e escutamos o que ele diz ‒ nos transformamos em filhos de Deus, Jesus faz uma declaração contundente: “O pai de vocês é o diabo, e vocês querem realizar o desejo do pai de vocês. Desde o começo ele é assassino, e nunca esteve com a verdade, porque nele não existe verdade. Quando ele fala mentira, fala do que é dele, porque ele é mentiroso e pai da mentira. Eu falo a verdade, e por isso vocês não acreditam em mim” (João 8, 44-45).

Tudo o que antes de Jesus parecia absoluto ‒ riqueza, poder, ideias, estruturas ‒ passa a ter um valor relativo. A liberdade ocorre quando nos libertamos do apego às coisas materiais e passamos a cultivar mais o mundo espiritual que existe em nós. É um investimento no qual passamos a dedicar toda a vida, pois o próprio apóstolo Paulo fala a seu respeito: “Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte? Sejam dadas graças a Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, pela razão eu sirvo à lei de Deus, mas pelos instintos egoístas sirvo à lei do pecado”.

Enquanto a mentira ‒ a ilusão do mundo material ‒ alimenta o egoísmo, a Palavra, que é o próprio Jesus, nos liberta do apego exagerado, das paixões desordenadas, da vida desregrada. Assim que escutamos a Palavra, e acreditamos nela, nos libertamos do medo, da preocupação, da angústia e passamos a viver com mais coragem, mais alegria, mais paz e mais amor.   

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