Pesquisas não previram surpresas nas eleições de 2018 em MG

Especialistas reiteram que levantamentos são confiáveis; institutos cravaram eleição de Bolsonaro

 

 

Bruno Bueno

Chegou a hora. Os brasileiros estão a menos de 48 horas de irem às urnas para as eleições deste ano. Em Minas, a disputa para o governo e Senado continua acirrada e imprevisível. Romeu Zema (Novo) lidera as principais pesquisas para a primeira vaga, enquanto Cleitinho Azevedo (PSC) é o mais cotado para a segunda.

No entanto, nem sempre quem lidera os levantamentos acaba vencendo as eleições. Em 2018, por exemplo, os principais institutos registraram erros nas pesquisas para o Governo e Senado em Minas. A ascensão de Zema e a derrota de Dilma Rousseff (PT) são exemplos. 

Os números da disputa presidencial, contudo, foram praticamente iguais aos que foram registrados nas urnas. A diferença acontece porque, normalmente, os eleitores têm mais tendência a mudar os votos para governador e senador de última hora.

Presidente (2018)

Os dois principais institutos de pesquisa praticamente cravaram o resultado das eleições presidenciais de 2018. O Datafolha, por exemplo, apontou que Bolsonaro teria 40% no primeiro turno. Haddad (PT) registrou 25% e Ciro, 15%. Já o Ibope disse que Bolsonaro teria 41%, Haddad, 25%, e Ciro, 13%.

O resultado do primeiro turno apontou Bolsonaro com 46%, Haddad com 29% e Ciro com 12%. Sendo assim, os institutos ficaram bem próximos aos resultados levando em conta a margem de erro, que é de 2% para mais ou para menos.

Datafolha e Ibope foram ainda mais precisos no segundo turno. As últimas pesquisas das entidades apontaram que Bolsonaro seria eleito. No Datafolha, a porcentagem foi de 55%. Já no Ibope, o montante foi de 54%. Haddad teve 45% e 46% respectivamente.

O resultado final apontou para uma vitória de Jair Bolsonaro com 55,13% dos votos, enquanto o petista teve 47,83%.

Governador (2018)

Se os institutos praticamente cravaram o resultado para presidente, o mesmo não se pode dizer dos números para o Governo de Minas em 2018. O Ibope, por exemplo, mostrou que haveria segundo turno entre Anastasia (PSDB) e Pimentel (PT). O tucano foi apontado com 42% dos votos, enquanto o petista teria 25%. Zema registrou 23% dos votos. O Datafolha apontou um resultado parecido, com Anastasia (40%), Pimentel (29%) e Zema (24%).

O resultado, no entanto, foi surpreendente. Zema, que não estava cotado para ir ao segundo turno, liderou com 42% dos votos. Anastasia teve 29% e Pimentel, 23%. Contudo, os resultados do segundo turno foram mais parecidos com a realidade. O Datafolha apontou que Zema seria eleito com  70% dos votos contra 30% de Anastasia. O Ibope também disse que o candidato do Novo venceria, mas com números de 68% a 32%.

Zema foi eleito com 71,8% dos votos válidos. Anastasia registrou 28,2%.

Senado 

Pesquisas para o Senado são as mais propícias para erros. Isso acontece porque, normalmente, os eleitores decidem o voto de última hora. Em 2018, as principais pesquisas também erraram.

O Ibope, por exemplo, disse que a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) seria eleita com 20% dos votos válidos. Carlos Viana e Rodrigo Pacheco registraram 14%. Dinis Pinheiro contabilizou 12%. Os números do Datafolha também apontaram Dilma na liderança, com 23% dos votos. Pacheco registrou 15%, Viana 14% e Dinis 12%.

O resultado final elegeu Pacheco e Viana com 20% cada. Dinis teve 18% e Dilma, que liderou as pesquisas, registrou apenas 15%.

Explicação

O professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, Emerson Cervi, explicou os motivos para a discrepância nas pesquisas em Minas.

— Para governador, em geral, o índice de indecisos na reta final é maior do que para presidente. Como esses indecisos vão ter que se decidir, ainda que seja na última hora, se essa escolha cria um movimento acelerado em direção a um candidato ou outro, pode haver uma distância entre o resultado da eleição e o que foi indicado pelas pesquisas — afirmou à BBC.

O estatístico Raphael Nishimura, diretor de amostragem do Survey Research Center, da Universidade de Michigan (EUA), também defende a confiabilidade das pesquisas.

— Como elas retratam o momento em que foram coletadas, se existe uma mudança nas preferências do eleitorado entre o momento da coleta e a eleição, as pesquisas não conseguem captar esse tipo de movimentação — disse.

Presidente 

As últimas pesquisas para presidente afirmam que Lula está na frente. No Ipec, antigo Ibope, o petista tem 48%. Bolsonaro contabiliza 31%, Ciro, 6% e Simone Tebet, 5%. Essa pesquisa foi contabilizada no último dia 27. O instituto deve divulgar um novo levantamento no próximo amanhã.

Já o Datafolha aponta Lula na frente com 47%, seguido de Bolsonaro, com 33%, Ciro, com 7% e Tebet, com 5%. Essa pesquisa foi contabilizada no último dia 22. Um novo levantamento do instituto foi divulgado depois do fechamento desta edição. 

Os números da nova pesquisa estão disponíveis no site: www.agora.com.vc.

Governador

A última pesquisa feita pelo Ipec, no dia 27, aponta Zema na liderança para o Governo de Minas. Ele tem 45% dos votos. Kalil tem 34% e Viana 3%. O instituto deve divulgar um novo levantamento amanhã.

O levantamento do Datafolha, divulgado no dia 22, aponta Zema com 48%, Kalil com 28% e Viana com 4%. Um novo levantamento do instituto foi divulgado depois do fechamento desta edição. 

Senado

O Ipec aponta Cleitinho à frente na disputa pelo Senado de Minas. Ele tem 23% dos votos e é seguido por Alexandre Silveira, que tem 21%. Marcelo Aro registra 12%. O instituto deve divulgar um novo levantamento amanhã.

O levantamento do Datafolha, divulgado no dia 22, aponta Cleitinho com 20%. Silveira tem 13% e Aro, 10%. Um novo levantamento do instituto foi divulgado depois do fechamento desta edição. 

Cobertura

O Agora fará a cobertura completa das eleições deste ano. A reportagem estará nos  principais colégios eleitorais para acompanhar a movimentação dos eleitores. Boletins ao vivo, entrevista com os eleitos e notícias em tempo real também fazem parte da programação.

A cobertura acontece em todas as redes sociais e no site do Agora.

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