Passado e futuro

Passado e futuro

Quando escolhemos ídolos, optamos por fechar, ou ao menos semicerrar, os olhos aos erros, sejam eles intencionais ou não. Lugar de ídolo e fã é no entretenimento. Na política, queira ou não, o tratamento deve ser feito com a seriedade exigida pelo tema.  

Com a proximidade da eleição - pouco mais de seis meses -, o “mercado” da política começa a se movimentar, com políticos em busca de uma sigla mais agradável a suas pautas, com um Fundo Partidário que o permita investir mais em sua campanha ou com mais chances de eleger seus filiados. Esse é um dos ambientes em que o eleitor deve evitar fechar seus olhos. Não é raro ver partidos e agentes políticos se desentenderem e manter a união apenas para se aproveitar do alcance um do outro.

Podemos e devemos ter preferências e gostos, faz parte da identidade individual de caráter de cada um. Mas não  se deve escolher candidatos apenas e exclusivamente por fazerem parte de um determinado partido político pelo qual o eleitor tem maior afinidade, independentemente de espectro político. Para gostarmos de um livro, precisamos não apenas julgar sua capa, mas conhecer seu conteúdo. 

 

No esporte, por exemplo, o erro de um ídolo não interfere na vida das pessoas. Um gol perdido pode entristecer os torcedores, mas a vida segue. Na política, o erro não é apenas o suspiro de uma multidão ao ver a bola sair; são famílias que podem ficar desabrigadas ou sem assistência, alunos que deixam de receber um ensino de qualidade, empresários que precisam fechar suas portas e funcionários que acordam sem ter para onde ir quando o despertador toca… O erro significa deixar centenas de pessoas numa fila de espera por um atendimento médico, hospitais inacabados e serviços públicos com condições precárias de trabalho.

A política não precisa de amigos, conhecidos ou parentes; precisa de pessoas qualificadas que entendam da responsabilidade e da área de atuação de seus cargos, compromissadas com o bem-estar comum. Parece um mundo hipotético, irrealista e surrealista, mas, enquanto houver insistência em recompensar promessas vazias com cargos cada vez mais altos, uma sociedade mais justa continuará sendo apenas um delírio.

É preciso conhecer o candidato, não a pessoa. 

O candidato que não tem ou não sabe apresentar um plano de governo para os próximos quatros anos não demonstra minimamente a capacidade de ocupar uma esfera de poder. Recém-saído de uma pandemia devastadora, tanto na esfera humana quanto econômica, a cidade não precisa nem merece “agentes do improviso”.

 

Apesar de a política determinar o que virá pelos próximos anos, antes de definir o voto é preciso olhar para o passado; estudar quais foram as promessas anteriores dos candidatos e observar quais ele conseguiu cumprir; avaliar como foi sua atuação e os benefícios que ele conseguiu levar à população. 

Deve-se reservar a idolatria aos campos, quadras e ginásios, não aos partidos e aos políticos. Quais políticas públicas eficazes estes podem nos oferecer? Quais as garantias de que elas serão cumpridas? Como foram suas atuações nos últimos anos? 

Há candidatos que se elegem, eleição após eleição, prometendo solucionar o mesmo problema. Ora, a adversidade só continua a existir por sua própria incompetência em resolvê-la, pois, uma vez solucionada, não haverá mais necessidade dele. 

Vários deputados e outras lideranças políticas mineiras receberam votações relativamente expressivas em Divinópolis nos últimos anos. Quantos vieram à cidade? Quantos ajudaram o município?

Divinópolis está, há anos, carente de representatividade nas esferas estaduais e federais. Polo regional, a “Princesinha do Oeste” só voltará a ser o que um dia foi quando houver conscientização política para além do apreço por rostos e siglas.

 

Plenário não é estádio; políticos não são jogadores que vestem a camisa 10 e recebem aplausos ao entrar em campo; e, justamente por isso, eleitores não devem ser torcedores fanáticos.

O voto é uma escolha não apenas de representatividade, mas de futuro.

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