Oyá – a Menina que conquistou os ventos – um livro antirracista

LITERATURA EM PAUTA

Oyá – a Menina que conquistou os ventos – um livro antirracista 

O livro infanto-juvenil “Oyá – a menina que conquistou os ventos” é um conto escrito pelo professor, mestre em letras e contador de histórias Bruno Rodrigo. Professor efetivo da rede pública de ensino de Divinópolis, Bruno conta que esse livro nasceu de uma infeliz experiência que teve com sua filha. Segundo ele, um dia a pequena garotinha pediu para alisar os cabelos, pois nunca encontrava personagens com cabelos cacheados nos livros. Então, motivado por essa situação, o professor escreveu essa linda obra que conta a história de uma menininha de pele preta, cabelos cacheados e que vive nas savanas africanas. A personagem passa por várias aventuras, brincadeiras e descobertas para poder encontrar a sua “deusa interior”. 

 

Histórias criadas a partir de mitologias 

As mitologias são um conjunto de histórias, mitos, costumes e crenças de um povo em uma determinada época. Estudar mitologias faz com que percebamos como as pessoas pensavam e resolviam seus conflitos no passado. 

Segundo o professor, “várias personagens das histórias em quadrinhos, filmes e séries são baseadas em seres pertencentes a mitologias. O Thor, herói da milionária franquia “Os Vingadores”, é baseado no deus da cultura nórdica filho de Odin. A Mulher Maravilha é filha de Hipólita, rainha das Amazonas, e de Zeus, deus dos deuses na mitologia grega. O superveloz “Flash”, herói dos quadrinhos e cinema, tem como base de criação o deus Hermes que era o mensageiro dos deuses do Olimpo”. 

No entanto, a maioria das personagens que povoam o imaginário das crianças tem seus poderes e características inspiradas em mitologias europeias e são, também, em grande parte das vezes, pessoas brancas. Oyá, por sua vez, é inspirada em uma deusa da mitologia africana “Oiá”, a mãe dos nove reinos e senhora dos ventos e raios. Diferente dos heróis citados, ela é uma mulher negra. Cabe ressaltar que estudar mitologia não é estudar religião. A mitologia apresenta personagens e costumes antigos de um povo. A religião é um conjunto de ritos e crenças praticados por alguém em seu dia a dia. 

Porém, fica a questão: será que uma personagem que é mulher e tem a pele preta tem a mesma aceitação de um personagem branco e masculino? Por que a mitologia grega é tão apreciada e a mitologia africana é tão condenada, sobretudo, por grupos ditos mais conservadores? A resposta é simples: o racismo estrutural ainda influencia nossas escolhas, até mesmo as literárias.  

 

Literatura como forma de resistência 

Infelizmente, o Brasil ainda é um país racista. Se por um lado os heróis oriundos da cultura europeia e americana são bem aceitos, por outro, há uma rejeição estrutural contra as personagens africanas. Por isso é necessário que haja instrumentos legais para que a cultura africana possa ser reconhecida, valorizada e incentivada. A lei 10.639/03 estabelece como obrigatório o ensino da cultura afrodescendente para que as nossas crianças possam saber das contribuições dos povos originários na sociedade brasileira. É dever da escola lutar contra todas as formas de preconceito. Ensinar as crianças a respeitarem o que é diferente faz parte de uma formação humana e cidadã, tal como prevê a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento norteador das práticas de ensino em todo o país. 

 

Então, fica a dica: leiam para as crianças e deem de presente “Oyá”, um livro para todas as idades que trata do empoderamento feminino e da beleza da negritude. Um convite ao mundo da fantasia para que possamos acessar um lugar sem preconceitos e acolhedor para todos os povos.  

Para adquirir o livro, entrem em contato com a produtora cultural Cris Silva, do Bem te conto, pelo WhatsApp (37) 99876-9566.

 

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