Os vendedores do fim do mundo

O atual governo já privatizou 36% das (nossas) estatais brasileiras durante esse infortúnio temporal que começou em 2019, um pesadelo de alcunha mandato. Eram 209 empresas controladas pela União, restando agora 133 - e as praias, ainda -, as quais também podem ser negociadas pela vontade do chicago boy pactual by ministério da economia, o corretor Guedes of course.

Esse número - divulgado festivamente por tal (des) governo - entre comissões e remessas gratificatórias para o estrangeiro – foi publicitado quando da operação de entrega da Eletrobrás aos investidores, um descalabro que só está esperando o fim das eleições para tarifação lucrativa e satisfatória do capital privado.

Desde a aberrante venda da BR Distribuidora (Petrobras) – que agora se chama Vibra Energia – já se sentiu no bolso o significado doloroso de ficar nas mãos do capitalismo financeiro mirado na dolarização.

Ainda no atual (des) governo, a Petrobras igualmente vendeu a Transportadora Associada de Gás – TAG - que agora (pasme-se!) aluga (...) seus dutos ao estado.

Outras ações de crime institucionalizado continuam em andamento buscando a consumação na venda dos Correios e, no futuro, Banco do Brasil, óbvio.

O pouco dinheiro arrecadado, excluída as comissões, já se foi nos ralos do Orçamento Secreto, outra monstruosidade a ser apurada.

A lógica das privatizações é simples: 1. Inicia-se com a desvalorização máxima da empresa; 2. A venda é feita com empréstimos do próprio estado; 3. Comissões distribuídas, lucro dolarizado; 4. Falta de manutenção da empresa para que o próprio se encarregue de fazê-lo, mediante superfaturamento.

É impressionante como os investidores – tão contrários ao Estado – nada conseguem sem o dinheiro do Estado, direta ou indiretamente.

Se a questão é privatizar para economizar, pergunta-se sobre a viabilidade de um congresso tão caro e pouco prestável naquilo que envolve os anseios do povo, e de onde se subtraiu o locus da emanação do poder.

Se a questão é privatizar para economizar, pergunta-se sobre a viabilidade de um judiciário tão caro e nada sensível naquilo que envolve os gastos insuportáveis de uma justiça distante do povo como locus de emanação do poder.

Se a questão é privatizar para economizar, pergunta-se sobre agências policiais violentas e despreparadas - distantes do povo como locus de emanação do poder - mas obstinadas à caça do ópio como ópio de si mesmas no aguçamento caro do label approach.

Se a questão é privatizar para economizar, não vendam escassez para o fim do mundo, ao preço da opulência estamental indevida para resgatá-la. 

Para os vendedores do fim do mundo é assim: mate-se os camelos e que seja a passagem da agulha devidamente cobrada. Em ouro.

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