Os “infiltrados” na Polícia e o Arcanjo

CREPÚSCULO DA LEI – Ano IV – LXXXIII

Os “infiltrados” na Polícia e o Arcanjo

Provavelmente a polícia seja o espaço mais nobre da extensa dimensão da justiça. É nela, na polícia, que ocorrem as atuações no calor dos acontecimentos – “flagrare”.  Por conta disto, são momentos que apresentam mais claramente os filtros reveladores do caráter de seus membros. 

É numa pequena fração de minutos – ou segundos- que a ação do policial vai de(monstro)ar a estrutura psicológica, moral e social do legítimo guardião da comunidade. Significa que a ação policial é o espaço adequado para os sensatos, para os equilibrados, para os comprometidos com a salvaguarda dos vulneráveis, ou seja, é o lugar legítimo para os tomados pela concepção do justo.

Eis, portanto, o perfil do policial autêntico e digno do distintivo, da arma, do uniforme ou da farda que ostentam em nome da proteção e da segurança das pessoas.

Polícia não é lugar de loucos e desequilibrados.

Polícia não é lugar de homicidas, exterminadores de pobre, de negro ou de índio.

Polícia não é lugar de traficantes, seja de drogas ou armas, nem lugar de vendedores de pontos de vigilância mediante extorsão.

Polícia não é lugar de psicopatas, de pedófilos, de estupradores ou de misóginos, de extremistas religiosos ou vingadores ideológicos.

Polícia não é lugar de exercer as pulsões de morte, o sadomasoquismo, os tormentos dos recalques ou a explosão das psicoses maltratadas pelas castrações mal recebidas.

Pessoas que se valem da polícia dessa forma são indignos dela e, portanto, infiltrados ali escondidos dos seus próprios infortúnios, caçadores de “bodes expiatórios” para seus “inexplicáveis” males.

São pessoas assim, que se valem da polícia dessa forma, é que colocam na sombra inúmeros heróis do cotidiano, que não medem esforços para o mister da atividade policial no seu horizonte mais aclamado das carências, em favor daqueles que sofrem agressões e buscam o amparo mantenedor das dignidades.

E para além da policiologia, existem muitos que a história revelou como exemplos de vida, como o policial Joaquim Firmino de Araújo Cunha – assassinado por aplicar direitos humanos em favor de escravos -, Nelson Hungria – para muitos o maior penalista do país -, Rubem Alves – um dos maiores escritores brasileiros -, Vitoriano Veloso – o valente alferes mensageiro da Inconfidência Mineira-, ou mesmo a figura maior das polícias: O alferes Joaquim José da Silva Xavier.

O que diria Tiradentes ao tomar conhecimento de “colegas” atuando como grupo de extermínio, matando negros favelados, pobres vulneráveis e indígenas indefesos?

O que diria Tiradentes ao ver a cena de uma viatura sendo utilizada como instrumento de holocausto, seguida de uma vergonhosa omissão invocando cem anos de sigilo?

Ora, até mesmo o reino celestial possui sua própria polícia, devidamente entregue à chefia do Arcanjo Miguel. Por acaso o Arcanjo saiu em perseguição a Adão e o torturou? Eva foi submetida a espancamentos? 

Por acaso a milícia dos anjos foi perseguir Caim em nome dos bons costumes do Éden?   Tem-se notícias de operações chefiadas pelo Arcanjo às celas do inferno, sequestrando e levando demônios a novos suplícios senão aqueles já estabelecidos pela ordem divina?     

Não, isto não ocorreu nem ocorrerá. O “efeito lúcifer” não chega às legiões comandadas por Miguel.

Assim, qualquer “infiltrado” na polícia e que dela se utilize para aplacar seus próprios e mencionados infortúnios cabe exatamente nesta metáfora: são demônios disfarçados de anjos!

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