O país da impunidade

O país da impunidade 

O Brasil é o país da impunidade, é fato. Por aqui, pode-se dizer que, para muitos, o crime compensa, a corrupção idem. Se matam um hoje, daqui alguns meses o assassino está à solta – isso quando ele é preso – se rouba hoje, amanhã "faz dois dias". E quando a polícia volta à ativa para trazer paz às ruas, encontra o preso de novo e, em muitas oportunidades, aprontando. Infelizmente essa é a triste e cruel realidade. Não tem punição, e é justamente essa impunidade que atrai mais e mais pessoas para as práticas criminosas. Um exemplo é a situação do rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho. As tragédias completaram seis e três anos, respectivamente, e os responsáveis seguem suas vidas, como se nada tivesse acontecido. 

Provas públicas e notórias de que aqui o crime compensa. Para piorar a situação, além de ninguém ter sido responsabilizado, as famílias aguardam até hoje pela indenização. Dezenove pessoas, entre moradores da região e trabalhadores da mineradora Samarco, perderam suas vidas naquela tarde de 5 novembro de 2015, quando a barragem do Fundão, em Mariana, se rompeu, e dezenas de moradores perderam seus meios de sobrevivência. A tragédia de Brumadinho ceifou 272 vidas e se tornou um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil. Além dos três anos de impunidade, um dossiê divulgado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) no fim de janeiro mostrou que 18 das 31 estruturas de mineração em Minas Gerais precisam de medidas emergenciais. Ou seja, mais tragédias podem acontecer, graças a quê? À impunidade. 

A verdade é que quem foi condenado nessas tragédias foi o povo de Mariana e o povo de Brumadinho. Os sobreviventes e os familiares de quem morreu. Eles, sim, estão condenados a viver eternamente com os traumas, com o luto, com o desejo – apenas com o desejo – que os culpados sejam responsabilizados, com a falta de quem se foi e com a triste memórias das tardes dos dias 5 de novembro de 2015 e 25 de janeiro de 2019. Nada, absolutamente nada vai mudar essa situação. Depois dessas duas aberrações, o que se vê são sobreviventes com depressão, que já sofreram infarto, com síndrome do pânico e sabe-se lá quais outras doenças. Naquela tarde, eles foram condenados a viver eternamente com essa dor, no país da impunidade. Os representantes do povo gostam muito de aparecer, de gritar, de redes sociais, de pensar neles próprios, só isso. Incapazes de se colocar no lugar do outro, vida que segue.

Aqui, a nação é pobre, mas não de dinheiro, e sim de leis e de representantes. Por aqui, o desfavorecido financeiramente não tem vez. Ele cala e apenas obedece. Diz sim aos empresários, à Justiça e à classe política. Vive à própria sorte. Apenas rezando e pedindo para não ser vítima daqueles que são pagos por eles para representá-los, mas optam por seus interesses. Afinal, se está desse jeito, é porque um lado está ganhando. E, sem sombra de dúvidas, o povo é que não é!

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