O mar de Cajuru

O MAR DE CAJURU

"Mar, belo mar selvagem 

das nossas praias solitárias!

Tigre a que as brisas da terra

o sono embalam, a que o vento a brisa eriça o pelo.

Junto da espuma com as praias bordas, pelo marulho acalentado..."

O verso acima descrito se intitula “PALAVRAS AO MAR”, escrito pelo poeta/magistrado Vicente de Carvalho (05/06/1866 - 22/04/1924).

O encantamento que as águas marítimas lhe provocava o transformou no famoso "poeta do mar". Guardadas as devidas proporções, o mesmo aconteceu comigo.

Aconteceu que, no dia 7 de abril do corrente ano, por felicidade e coincidência, eu me achava no município de Carmo do Cajuru, terra do famoso mestre Ernane Reis Gonçalves.

Me hospedei em frente à barragem e pude, pela primeira vez em minha vida, contemplar a imensidão das águas da referida barragem que, para mim, indubitavelmente, ERA O MAR...

Senti que não precisava mais conhecer a Bahia ou o Rio de Janeiro, pois, bem na minha cara, estava o belo e inspirado mar. Não precisava mais de águas, além daquelas que inundavam meus olhos.

O choro ficou guardado e um sorriso leve ficou estampado em meu rosto. Me lembrei do passado, vivi com ímpeto o presente e sonhei com o futuro, olhando para aquelas águas...

Para completar minha felicidade, levei o meu grande amor, Marita Conceição Ramos, minha companheira de décadas. No mesmo dia, eu a convidei para um beijo longo e vulcânico, tendo a imensidão daquelas águas como testemunhas. O céu estava limpo, de um azul de esperanças, e se via um barco aprisionado e outro desfilando sobre as águas. Aquela cena ficou registrada para a posteridade.

A fotografia foi tirada. Meu desejo era que todos contemplassem a intensidade de meu amor diante do amor das águas. Devemos viver com o máximo de intensidade os bons momentos, pois não sabemos se eles se repetirão. A saudade é mais amarga quando não correspondemos com o convite do destino da visão. Naquele momento, o tempo parou para mim. Não me importavam riquezas e convites para usufruir de banquetes de mil e uma noites. Bastavam aqueles momentos para ser feliz. No outro dia, à tardinha, o sol começava a se despedir de nós e chegava a hora de voltar para Divinópolis, minha cidade, onde não existem águas como aquelas, a não ser um rio triste, chamado ITAPECERICA. Arrumamos as malas e, segurando as lágrimas, ouvi o ruído do carro que se afastava daquela imensa beleza. Dentro de mim prometi voltar.

Meu coração, confesso, ficou flutuando naquelas águas.

Repito com ênfase: não preciso conhecer o Rio, em Carmo do Cajuru existe o MAR.

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