O Cristo de todos os povos

Raimundo Bechelaine

O Cristo de todos os povos

Em Divinópolis, sem saber bem por que, estamos construindo uma monumental "Cruz de todos os Povos". Neste Centro-Oeste mineiro, carente de identidade e de atrações, abraçamos alegremente a proposta. Inesperadamente, disseram-nos que estamos inseridos num projeto divino; e fomos irmanados ao Líbano e ao México, que edificaram as duas primeiras cruzes. Nada mal, pois são dois países muito simpáticos, com os quais já temos ligações históricas.

A propósito, seria interessante perguntar-nos: por que nenhuma das três cruzes se levantou em algum dos países ricos, que lideram o mundo? Na França, talvez, ou na Alemanha. No Canadá ou na Austrália, por que não? Os Estados Unidos professam, nos seus disputados dólares: "in God we trust". Pois então! Ergueriam, em pouquíssimo tempo, a maior de todas as cruzes. Afinal, uma cruz gigantesca e fulgurante ficaria lá muito bem, pois eles já vêm sendo a cruz de todos os povos. 

A mídia tem noticiado a respeito dos 90 anos da imagem de Cristo, construída sobre o Corcovado, uma das montanhas que cercam a cidade do Rio de Janeiro. Foi inaugurada em 12 de outubro de 1931 e tem um significado histórico. As primeiras ideias a respeito de sua construção surgiram no tempo do Império. Todavia, após o golpe militar que instalou a República, a ideia foi abandonada, pois o novo regime era positivista, antirreligioso. Foi retomada nos anos vinte, no contexto do movimento pela recatolicização do Brasil, liderado pelo cardeal Sebastião Leme e os escritores Jackson de Figueiredo e Alceu Amoroso Lima, dentre outros. Erguendo a imagem de Cristo sobre a então Capital da República, pretendia-se transmitir a mensagem da soberania de Deus sobre os poderes e governos terrenos.

O monumento recebeu o nome de Cristo Redentor e assim é conhecido em todo o Brasil e no mundo inteiro. Talvez seja o símbolo mais divulgado do nosso país. Foi reconhecido pela Unesco como integrante da paisagem carioca. É cantado na música popular e adotado como elemento em obras cinematográficas. Foi eleito como uma das sete maravilhas do mundo moderno, ponto obrigatório de visita para todos os turistas. 

Enfim, lá está ele, cantado por Jobim, no Samba do Avião: "Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara"! É, sem dúvida, Cristo e Cruz de todos os Povos. [email protected]

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