Nome conhecido na cidade faz apelo emocionante e teme complicações

Palhaço Fartura está internado há um mês na UPA e aguarda respostas; unidade tem 58 pacientes à espera de cirurgia

 

Matheus Augusto 

A Câmara voltou a ser palco de relatos sobre as dificuldades de transferência hospitalar para procedimentos cirúrgicos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta semana, o vereador Ney Burguer (PSB) usou seu pronunciamento para novamente criticar o processo de regulação.

— A regulação não funciona, o SUS Fácil é uma vergonha — afirmou. 

O parlamentar continuou sua fala cobrando a melhoria do processo, que classificou como difícil e de baixa resolubilidade. 

— O que está acontecendo com os pacientes que aguardam procedimento é um  verdadeiro descaso. São pessoas sofrendo com suas enfermidades e ainda têm que ficar tanto tempo aguardando uma cirurgia — destacou.

 

Fila sem fim

Ney ainda citou ter visitado pessoalmente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto nesta segunda-feira, 15, oportunidade em que coletou informações e conversou com alguns dos pacientes que enfrentam a situação

— A UPA está lotada, cheia. O que acontece? O sistema não funciona, mas ninguém sabe o que se passa lá dentro. Estive lá, peguei os documentos e pude comprovar: uma vergonha — relatou.

Segundo o vereador, com base no relatório da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), 58 pacientes estão internados na UPA à espera de transferência para intervenção cirúrgica. Desse total, 45 são classificados como “risco iminente de morte”, leu o parlamentar. Conforme dito anteriormente, os procedimentos, mesmo que eletivos e adiáveis a curto prazo, caso não sejam devidamente tratados, podem evoluir e piorar o quadro de saúde do enfermo.

— Para vocês terem noção, são procedimentos que às vezes são simples, mas precisam da bendita vaga do SUS Fácil. (...) Cadê as vagas? 58 pessoas ocupando leito dentro da UPA. Eles tinham que estar dentro dos hospitais credenciados. Cadê a regulação para fazer isso? — cobrou.

 

Pedido de socorro 

Um paciente conhecido na cidade passa por essa situação. Trata-se de José Carlos Gomes, conhecido como Palhaço Fartura, de 63 anos. Ele revelou ao Agora que está internado há cerca de 30 dias, aguardando pelos próximos, mas que ainda são incertos. Fartura sofre com um  problema crônico de diabetes, já amputou um dedo e teme que o procedimento ocorra também com o pé.

— Como eu tem muita gente aqui. Uns com até 40 dias e sem previsão de conseguir uma transferência ou ter a cirurgia agendada. Através desta oportunidade que estou tendo pela imprensa, peço encarecidamente que alguém faça alguma coisa pela gente. Não é digno para ninguém passar por uma situação dessa. É muito triste e doloroso — desabafa. 

 

Sem resposta

Ele relatou já ter feito, sem sucesso, a cobrança diretamente ao setor de regulação.

— Cobro da regulação e nada se faz. Vergonha a UPA ter 58 pacientes à espera de transferência. E, além dos 58 que estão lá dentro da UPA esperando para qualquer hospital da região, temos as pessoas que aguardam em casa, principalmente de cirurgias ortopédicas. Tem pessoas com 60 dias, 90 dias, esperando vaga dentro de casa. Se nem da UPA eles estão levando, vai levar você, coitado, que está esperando em casa? — questionou.

 

Longe de casa e sem vaga

O vereador relatou também o caso que chegou ao seu conhecimento de uma moradora de Divinópolis transferida para Bambuí, onde recebeu atendimento. No entanto, ela precisa de um novo procedimento, indisponível no leito em que ocupa. Novamente, só lhe resta esperar.

— Está cadastrada no SUS Fácil, internada desde março em Bambuí esperando uma vaga — citou.

 

União

Por fim, Burguer solicitou apoio da classe política, de todas as esferas, bem como de autoridades em saúde, para identificar as falhas do processo e implementar um sistema mais eficaz e ágil.

— Eu vi como estava a situação. O SUS não é um convênio? Que SUS Fácil é esse que não funciona? (...) O povo está sofrendo na UPA, dentro de casa e cadê as vagas? Chega! — reforçou.

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