No meio do caminho tem uma kombi

Márcio Almeida

Na primeira reportagem especial da série “Divino Maravilhoso”, que vai contar histórias de Divinópolis, a trajetória da Kombi da Esquina, iniciativa de um grupo de amigos que se juntaram para ouvir e divulgar música, ajudar pessoas e celebrar a mineiridade

 

“Certas canções que ouço

cabem tão dentro de mim

que perguntar carece

como não fui eu que fiz”

(Milton Nascimento/Tunai)

 

No meio do caminho tem uma kombi. Mais especificamente, um modelo 1997/1998 com dois carburadores e motor de 1600 cilindradas. Pedindo licença poética ao verso de Drummond, pode-se dizer que a kombi não está exatamente no meio do caminho, assim como não é apenas mais um utilitário saído da linha de montagem da Volkswagen do Brasil. É a Kombi da Esquina, veículo e símbolo de um projeto social e cultural que junta amigos unidos por sua admiração pela música e por sua vontade de divulgá-la em eventos capazes de entreter e ajudar pessoas.

A inspiração para batizar a kombi veio, claro, do "Clube da Esquina", de Milton Nascimento e Lô Borges, o mítico álbum duplo que acaba de completar 50 anos e ser eleito por um amplo júri técnico o melhor da história da música brasileira. Assim como a esquina de Belo Horizonte que deu título ao disco, confluência das ruas Divinópolis e Paraisópolis no mineiríssimo bairro de Santa Tereza, a perua divinopolitana é um ponto de encontro. Se a esquina de Santa Tereza reunia Milton e seus amigos nos anos 1960 e 1970, a Kombi da Esquina reúne gente do século 21 que ama a extraordinária música, sobretudo mineira, feita naquelas e em outras décadas.